“Ô, ô, ô, ô, corintiano, maloqueiro e sofredor, graças a Deus!” é um dos gritos mais tradicionais da torcida corintiana, com o qual eu me identifico (talvez não seja tão maloqueiro). Ontem, pela primeira vez no ano, me dispus a acompanhar o Timão no estádio e o resultado não foi muito agradável: 2 x 0 para o Náutico e a eliminação da Copa do Brasil.
Meu dia de sofredor começou no trabalho, onde as coisas não aconteceram da forma como eu imaginava. Mesmo com os problemas, consegui sair no horário previsto e cheguei em casa a tempo de me arrumar e ir ao Pacaembu com tranqüilidade.
No ônibus que me levou ao estádio, o motorista estava discutindo com um torcedor que usava cadeira de rodas. Pelo que entendi da confusão, a pessoa entrou pela porta de trás sem avisar o “piloto” e isso acirrou os ânimos. “Eu sei que você não precisa pagar passagem, mas tem que tomar cuidado na hora de entrar no busão”, dizia o motorista. “A questão não é pagar passagem, queria ver se você tivesse um filho com deficiência física”, respondia o cidadão.
Desci próximo ao portão principal, só que o meu ingresso era do tobogã. Faltavam uns 20 minutos para o jogo começar quando vejo a fila imensa que estava para entrar no estádio. O jeito foi acompanhar pelo rádio a entrada do time e os 15 minutos iniciais da partida, inclusive o primeiro gol do Náutico. Segundo o comentarista, o Jean falhou mais uma vez (o que eu comprovei depois).
Como bom jornalista, dou a notícia àqueles que estavam próximos a mim e ainda tenho que escutar: “essa era a única coisa que eu não queria ter ouvido de você”. Concordo com o cara, mas acreditava que o Timão teria capacidade de ao menos empatar o jogo.
Já dentro do Pacaembu, vejo que a coisa vai ser mais difícil do que parece. O Eduardo Ratinho escorrega e o cara do Náutico só não faz o segundo por incompetência. Quando me conformava em ver o primeiro tempo terminar 1 x 0, sai o segundo do time pernambucano, novamente em uma jogada pelo lado direito da defesa corintiana.
O Ratinho saiu no intervalo, mas um time que tinha Wilson e Allisson no ataque não pode ir longe. O Lulinha, assim como seu xará famoso, é ainda uma esperança, mas ontem pouco fez. O Everton melhorou como ala, enquanto o Carlão como terceiro zagueiro é uma piada. Senti saudades do William e do Roger, desejei que o Rosinei abandonasse logo o Timão e pensei que o resultado poderia ser outro se o Arce não tivesse sido substituído.
Um torcedor invadiu o campo, a galera começava a se revoltar: mais uma eliminação. As perspectivas para o Brasileirão são terríveis e vou continuar sofrendo cada vez mais. Pelo visto, irei muito ao Pacaembu neste ano, pois quanto pior a equipe, mais vontade eu tenho de ir ao estádio. Mas isso é assunto para outro post.
Escrito por mcempada
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