Daniel, esse sim era um servo fiel

junho 25, 2007

No último final de semana, estive em Águas de Lindóia participando do 11º Congresso do Instituto Haggai do Brasil. O tema tratado no encontro foi Evangelismo Urbano e um dos palestrantes, o canadense Peter Shaukat, usou a história do profeta bíblico Daniel para abordar a forma como Deus envia as pessoas para serem seus representantes nas cidades.

Sete anos atrás, também usei a trajetória de Daniel como exemplo para nós. Confira abaixo a letra do rap “Daniel”: 

DANIEL

Daniel, este sim era um servo fiel
Que vivia no reino de Judá
Mas só que lá, pros lados de Jerusalém
As coisas não iam nada bem
O império babilônico espalhava o terror
Sob o comando de Nabucodonosor
E eles não perderam tempo
Invadiram a cidade, saquearam o templo
Que curiosa esta situação
A cidade de Deus sendo invadida por um povo pagão
Os judeus indo para o exílio
Mas, cadê Deus? Cadê o seu auxílio?
Devia ser o que os caldeus estavam se perguntando
Mas Daniel, no Senhor, continuou confiando

Daniel, este sim era um servo fiel
Tinha boa condição social
Era um jovem nobre ou de linhagem real
Por causa disto foi servir no palácio do rei
Aquele que eu já citei
Nabucodonosor se encheu de glórias
Nas guerras em que lutou, só vitórias
Marcou o seu nome na história
Comer de sua comida poderia ser uma honra
Mas Daniel sabia que aquilo era uma afronta
A Deus, e à lei mosaica
Animais impuros não faziam parte da dieta judaica
A Deus obedeceu, não se contaminou
Fiel permaneceu, e não se abalou

Estas foram apenas duas situações
Que exigiram de Daniel decisões
E ele acabou tomando as mais acertadas
Por que será, MC Empada?
Porque ele teve a humildade
De reconhecer a necessidade
De ter um Deus que o ajudasse
Nos momentos de adversidade
E como estamos nós hoje nessa sociedade,
Que vive a pós-modernidade?
Babilônia é o mundo que nos cerca
Onde temos vasta oferta
Para fazer coisas que não são certas
A porta larga está aberta…

Mas o caminho estreito que Daniel decidiu seguir
Ah, é por esse que eu quero ir
Quero sempre me manter leal
A Deus, na minha vida profissional
Estudantil, familiar
Quero saber como me relacionar
Com a pessoa mais pobre do meu povo
Ou até com o governante mais poderoso
Estar disposto a sofrer acusações
E ser lançado na cova dos leões…

Daniel!

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Minha solidariedade ao Grêmio

junho 21, 2007

O que os gremistas passaram ontem com a derrota na final da Libertadores para o Boca Juniors me fez lembrar das recentes eliminações do Corinthians na mesma competição, só que diante do rival do clube argentino, o River Plate. Realmente é triste ver seu time ficar apático e não conseguir desenvolver um futebol que fure o poder defensivo do adversário, além de levar uns gols de lambuja. Êh, Brasil!

Coincidentemente, lembrei que 21 de junho também não é uma data muito feliz para os tricolores gaúchos. Há 12 anos, o Timão conquistava sua primeira Copa do Brasil, impedindo que o Grêmio conquistasse o tri da competição. Confira aqui a matéria do Globo Esporte daquela vitória corintiana que calou o estádio Olímpico.


O encontro de Luxemburgo e o Cap. Eta

junho 7, 2007

Vestiário do estádio Marcelo Stéfani, noite de 26 de agosto de 1990. Vanderlei Luxemburgo nem consegue acreditar que acaba de se tornar campeão paulista com o Bragantino, quando aparece o manda-chuva do clube, Nabi Abi Chedid.

– Parabéns, Luxemburgo! Você merece. Estou aqui com um amigo que gostaria de te apresentar, é o Capitão Eta. Vou deixá-los a sós.
– Boa noite, Cap. Eta. O que o senhor faz aqui?
– Vim te propor um contrato. Quer que eu seja o seu empresário?
– E o que eu ganho em troca?
– Vou transformá-lo no melhor técnico do país. Você será o recordista de títulos brasileiros, fará carreira vitoriosa em grandes times de São Paulo, chegará à Seleção Brasileira e treinará o Real Madrid. Só tem uma coisa: jamais conquistará uma Taça Libertadores.
– Onde é que eu assino? Aqui no Brasil, ninguém liga para a Libertadores mesmo…

O contrato com o Cap. Eta trouxe resultado. No ano seguinte ele assumiu o Flamengo e logo de cara disputaria sua primeira Libertadores como técnico. No entanto, é eliminado nas quartas-de-final, após derrota por 3 a 0 para o Boca Juniors, em La Bombonera.

Após passagem pela Ponte Preta, Luxemburgo tem novamente a chance de treinar um grande clube, o Palmeiras. De cara, conquista três títulos (Paulista, Rio-São Paulo e Brasileiro) em 1993, livrando o time de uma fila de 16 anos sem troféus. “Com esse time, vou ser campeão de tudo, até do Mundo”, pensou o técnico.

Primeiro jogo das oitavas-de-final da Libertadores de 1994, Palmeiras x São Paulo, no Pacaembu. O Verdão pressiona, só que Zetti está inspirado e garante o 0 a 0. Após o jogo, Luxemburgo lamenta com seu empresário:

– Pô, hoje o Zetti estava com o diabo, hein?
– Parecia mesmo…
– Depois da Copa a gente dá uma lição neles.

A Copa dos EUA passa, o Brasil é tetra, mas o Palmeiras não passa pelo São Paulo: derrota por 2 a 1.

Vestiário do estádio do Morumbi, noite de 23 de dezembro de 1998. Vanderlei Luxemburgo nem consegue acreditar que, além de ser treinador da Seleção Brasileira, acaba de conquistar seu terceiro título brasileiro, após a vitória por 2 a 0 do Corinthians sobre o Cruzeiro, quando aparece o manda-chuva da CBF, Ricardo Teixeira.

– Grande Luxemburgo, estou aqui com o seu empresário, o meu grande amigo Capitão Eta. E aí, pronto para assumir exclusivamente a Seleção?
– Pô, Ricardo, não posso ficar no Timão pelo menos até o fim da Libertadores? Com esse time, vou ser campeão de tudo!
– Não dá. Ou a Seleção, ou o Corinthians!

Cap. Eta apenas sorri.

Início de 2004, Luxemburgo está triunfante. Conquistou a tríplice coroa pelo Cruzeiro no ano anterior e o maior desafio agora é buscar o tri do time mineiro na Libertadores. No entanto, sem entender direito, é demitido da equipe pelos irmãos Perrella.

– Pô, Cap. Eta, eles falaram que acertaram tudo contigo, que são seus amigos, como você pôde ser traíra desse jeito?
– Calma, eu vou te colocar no Santos. O Leão vai cair logo.

Cap. Eta estava certo. Luxemburgo comanda o time da Baixada contra o LDU na suada classificação para as quartas-de-final do torneio sul-americano. “Agora, esse tal de Once Caldas vai ser moleza. Com Diego e Robinho, vou ser campeão de tudo”, pensa o técnico. Em 27 de maio, porém, o Santos é eliminado pela equipe colombiana em Manizales.

Vestiário do estádio da Vila Belmiro, madrugada de 7 de junho de 2007. Luxemburgo está desolado. Não consegue acreditar que esteve muito próximo de se classificar para a final da Libertadores pela primeira vez, mas mesmo a vitória por 3 a 1 do Santos contra o Grêmio não foi suficiente.

– Cap. Eta, quero rescindir meu contrato. Está certo, você prometeu tudo o que cumpriu, tenho cinco Brasileiros na bagagem, sete Paulistas, uma Copa do Brasil, treinei a Seleção Brasileira, o Real Madrid, mas assim não dá. Eu preciso ser campeão da Libertadores.
– Desculpe, Luxa, só que o nosso contrato não tem como ser desfeito. Você não olhou direito quando assinou? Ele é vitalício, veja aqui.
– Não pode ser! Eu não acredito!… Bem, pelo menos posso ser campeão Brasileiro no final do ano e voltar à Seleção depois que o Dunga se afundar na Copa América. Cap. Eta, responda-me uma coisa: além de mim, alguém assinou um contrato parecido assim contigo?
– Sim, grande Luxemburgo. Em 1990, no final do ano, o Vicente Matheus estava tão eufórico com a conquista do primeiro Brasileiro do Corinthians que ele aceitou as mesmas condições. Só que o contrato dele tinha de ser renovado pelos presidentes que assumissem o Timão depois.
– E aí?
– Se o Dualib assinou o contrato com a MSI, não ia assinar o meu também? Aliás, fui eu quem o apresentei para o Kia… 

Ps. Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.


Fé em Jesus x fé no Corinthians

junho 4, 2007

Eu sou cristão, ou seja, acredito que Jesus Cristo é o Filho de Deus que foi enviado à Terra para salvar a humanidade dos seus pecados. Há 15 anos mantenho minha fé, mas em alguns momentos, reconheço que isso não é lá muito fácil. Em determinadas circunstâncias, crer que existe um Senhor Todo-Poderoso, invisível, que me ama e quer o melhor para mim, é complicado.

Sendo sincero ao extremo, gostaria de ter uma fé em Jesus como tenho no Corinthians. É triste reconhecer isso, mas é a pura verdade. E este blog tem me ajudado a enxergar essa minha característica, que precisa ser transformada por Deus.

Vou explicar melhor, antes que me acusem de heresia. Na minha caminhada cristã, quando passo por situações difíceis, é natural querer agir mais pelas próprias forças do que confiar piamente
em Deus. Agora, com o Corinthians, é diferente. A equipe pode estar na pior crise, sem os principais jogadores, na última posição do campeonato, que continuo acreditando que o time vencerá a próxima partida, mesmo que seja contra o Milan.

Racionalmente, é muito claro para mim que o Senhor é mais importante do que o Corinthians. Recuso-me a cantar o grito “Todo-Poderoso Timão” ou “Corinthians minha vida…”. Só Deus é onipotente e, desculpem-me os mais fanáticos, mas o dia que um time de futebol se tornar minha vida, é sinal que algo está errado. Mas na prática, será que não tenho invertido meus valores?

Como seria bom se eu confiasse que Deus tem poder para curar uma doença de um parente da mesma forma como mantenho a fé de que o William tem futebol para conduzir o Timão ao título brasileiro. Creio que, se perseverasse em oração como fico até os 48 minutos do segundo tempo acreditando no gol da vitória, as pessoas ao meu redor sentiriam o amor de Cristo.

Deixo uma pergunta para quem me conhece: eu sou mais cristão ou sou mais corintiano?