O encontro de Luxemburgo e o Cap. Eta

Vestiário do estádio Marcelo Stéfani, noite de 26 de agosto de 1990. Vanderlei Luxemburgo nem consegue acreditar que acaba de se tornar campeão paulista com o Bragantino, quando aparece o manda-chuva do clube, Nabi Abi Chedid.

– Parabéns, Luxemburgo! Você merece. Estou aqui com um amigo que gostaria de te apresentar, é o Capitão Eta. Vou deixá-los a sós.
– Boa noite, Cap. Eta. O que o senhor faz aqui?
– Vim te propor um contrato. Quer que eu seja o seu empresário?
– E o que eu ganho em troca?
– Vou transformá-lo no melhor técnico do país. Você será o recordista de títulos brasileiros, fará carreira vitoriosa em grandes times de São Paulo, chegará à Seleção Brasileira e treinará o Real Madrid. Só tem uma coisa: jamais conquistará uma Taça Libertadores.
– Onde é que eu assino? Aqui no Brasil, ninguém liga para a Libertadores mesmo…

O contrato com o Cap. Eta trouxe resultado. No ano seguinte ele assumiu o Flamengo e logo de cara disputaria sua primeira Libertadores como técnico. No entanto, é eliminado nas quartas-de-final, após derrota por 3 a 0 para o Boca Juniors, em La Bombonera.

Após passagem pela Ponte Preta, Luxemburgo tem novamente a chance de treinar um grande clube, o Palmeiras. De cara, conquista três títulos (Paulista, Rio-São Paulo e Brasileiro) em 1993, livrando o time de uma fila de 16 anos sem troféus. “Com esse time, vou ser campeão de tudo, até do Mundo”, pensou o técnico.

Primeiro jogo das oitavas-de-final da Libertadores de 1994, Palmeiras x São Paulo, no Pacaembu. O Verdão pressiona, só que Zetti está inspirado e garante o 0 a 0. Após o jogo, Luxemburgo lamenta com seu empresário:

– Pô, hoje o Zetti estava com o diabo, hein?
– Parecia mesmo…
– Depois da Copa a gente dá uma lição neles.

A Copa dos EUA passa, o Brasil é tetra, mas o Palmeiras não passa pelo São Paulo: derrota por 2 a 1.

Vestiário do estádio do Morumbi, noite de 23 de dezembro de 1998. Vanderlei Luxemburgo nem consegue acreditar que, além de ser treinador da Seleção Brasileira, acaba de conquistar seu terceiro título brasileiro, após a vitória por 2 a 0 do Corinthians sobre o Cruzeiro, quando aparece o manda-chuva da CBF, Ricardo Teixeira.

– Grande Luxemburgo, estou aqui com o seu empresário, o meu grande amigo Capitão Eta. E aí, pronto para assumir exclusivamente a Seleção?
– Pô, Ricardo, não posso ficar no Timão pelo menos até o fim da Libertadores? Com esse time, vou ser campeão de tudo!
– Não dá. Ou a Seleção, ou o Corinthians!

Cap. Eta apenas sorri.

Início de 2004, Luxemburgo está triunfante. Conquistou a tríplice coroa pelo Cruzeiro no ano anterior e o maior desafio agora é buscar o tri do time mineiro na Libertadores. No entanto, sem entender direito, é demitido da equipe pelos irmãos Perrella.

– Pô, Cap. Eta, eles falaram que acertaram tudo contigo, que são seus amigos, como você pôde ser traíra desse jeito?
– Calma, eu vou te colocar no Santos. O Leão vai cair logo.

Cap. Eta estava certo. Luxemburgo comanda o time da Baixada contra o LDU na suada classificação para as quartas-de-final do torneio sul-americano. “Agora, esse tal de Once Caldas vai ser moleza. Com Diego e Robinho, vou ser campeão de tudo”, pensa o técnico. Em 27 de maio, porém, o Santos é eliminado pela equipe colombiana em Manizales.

Vestiário do estádio da Vila Belmiro, madrugada de 7 de junho de 2007. Luxemburgo está desolado. Não consegue acreditar que esteve muito próximo de se classificar para a final da Libertadores pela primeira vez, mas mesmo a vitória por 3 a 1 do Santos contra o Grêmio não foi suficiente.

– Cap. Eta, quero rescindir meu contrato. Está certo, você prometeu tudo o que cumpriu, tenho cinco Brasileiros na bagagem, sete Paulistas, uma Copa do Brasil, treinei a Seleção Brasileira, o Real Madrid, mas assim não dá. Eu preciso ser campeão da Libertadores.
– Desculpe, Luxa, só que o nosso contrato não tem como ser desfeito. Você não olhou direito quando assinou? Ele é vitalício, veja aqui.
– Não pode ser! Eu não acredito!… Bem, pelo menos posso ser campeão Brasileiro no final do ano e voltar à Seleção depois que o Dunga se afundar na Copa América. Cap. Eta, responda-me uma coisa: além de mim, alguém assinou um contrato parecido assim contigo?
– Sim, grande Luxemburgo. Em 1990, no final do ano, o Vicente Matheus estava tão eufórico com a conquista do primeiro Brasileiro do Corinthians que ele aceitou as mesmas condições. Só que o contrato dele tinha de ser renovado pelos presidentes que assumissem o Timão depois.
– E aí?
– Se o Dualib assinou o contrato com a MSI, não ia assinar o meu também? Aliás, fui eu quem o apresentei para o Kia… 

Ps. Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

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3 Responses to O encontro de Luxemburgo e o Cap. Eta

  1. Rafael Ferreira da Silva disse:

    Excelente artigo. Tenho certeza que se você enviar para o Juca Kfouri ela divulga no blog dele.

  2. Adilson Fuzo disse:

    Faaaala estúpido! Sensacional seu blog!

    Bastante plausível sua tese. Mas convenhamos: o Vicente Matheus negociou muito mal esse contrato com o Capitão Eta.

  3. Adauto Luiz Santos Chaves disse:

    Ficou muito bom esse texto e tenho certeza que o Corinthians está com um contrato vitalício!!! (rs)

    Não sei se o marcelo Teixeira não fez isso também para tirar o time da fila e depois deixar a gente de cabelo em pé nos ultimos campeonatos!!!!

    Abração

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