Melhor Corinthians do meu tempo: Vampeta – Camisa 5

dezembro 28, 2007

vampeta-vitoria.jpgAcabo de ler a notícia de que Vampeta não está nos planos do técnico Mano Menezes para o elenco do Corinthians em 2008. Pelo que o volante fez nos últimos meses, a decisão do treinador tem o meu apoio , mas aproveito o gancho para eleger o jogador como o melhor camisa 5 do Timão dos últimos 17 anos.

Vampeta tem esse apelido pela sua feiúra, já que parece a “mistura do vampiro com o capeta”. Começou nas categorias de base do Vitória, profissionalizou-se no início dos anos 90 e em 1993 fez parte do grupo vice-campeão brasileiro. Transferiu-se para o PSV Eindhoven no ano seguinte, onde jogou com Ronaldo Fenômeno, voltou ao Brasil em 95 para disputar o Campeonato Brasileiro pelo Fluminense e atuou mais dois anos na Holanda.

No início de 1998, chegou ao Corinthians como um desconhecido do torcedor paulista, apesar das boas referências e da confiança do técnico Vanderlei Luxemburgo. Não demorou muito para mostrar seu valor, ao fazer parte de um meio-campo mágico com Rincón, Marcelinho e Ricardinho e conquistar o Brasileiro no final do ano.

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No primeiro semestre de 1999, o Corinthians foi eliminado nas quartas-de-final da Libertadores pelo Palmeiras, e Vampeta perdeu um dos pênaltis na disputa contra o rival. No restante do ano, porém, só alegria: campeão Paulista e bi Brasileiro.

Em 2000, conquistou seu maior título pelo Timão, ao ser campeão Mundial de Clubes. A felicidade de estar no topo do planeta acabou em menos de seis meses, com uma nova eliminação corintiana para o Palmeiras na Libertadores, desta vez na semifinal.

Sem a taça continental que faltava na sua coleção, o volante foi vendido à Internazionale de Milão por US$ 15 milhões. Na Itália, foi um fiasco, assim como na sua breve passagem pelo Paris Saint-Germain. Voltou ao Brasil para disputar o Brasileirão de 2001 pelo Flamengo e imortalizou a frase: “eles fingem que me pagam e eu finjo que jogo”.

O bom futebol de Vampeta só reapareceu quando ele retornou ao Corinthians. Em 2002, sob o comando de Carlos Alberto Parreira, o jogador foi campeão do Rio-São Paulo, da Copa do Brasil e ainda ficou como vice do Brasileirão. Pela seleção brasileira, amargou a reserva na conquista do quinto título mundial, mas acabou como a estrela da comemoração, ao rolar bêbado pela rampa do Palácio do Planalto com suas cambalhotas.vampeta-cambalhota.jpg

Ainda seria campeão paulista de 2003 pelo Timão antes de sofrer uma grave contusão no joelho. Depois desse fatídico dia, jamais voltou a brilhar, seja no Vitória, Kuwait, Brasiliense, Goiás e no próprio Corinthians, onde amargou o rebaixamento neste ano.

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Amigos do Rafa

dezembro 20, 2007

Em 1994, meu irmão completou 18 anos e, para marcar sua maioridade penal, resolveu comemorar seu aniversário de uma forma diferente: por que não organizar um campeonato de futsal, com times formados apenas por amigos?

A idéia se materializou e o 1º Torneio Amigos do Rafa contou com cinco equipes: Ferreiras (com integrantes da família e alguns convidados), Alfredo (com amigos do colégio onde ele fez o Ensino Fundamental, o Alfredo Bresser), Vilinha (amigos da rua perto de casa), Costa (amigos do colégio onde ele fez o Ensino Médio, Costa Manso) e Igreja (pessoal da Igreja Metodista Livre de Pinheiros).

Neste primeiro campeonato, vencido pelo Alfredo, lembro que nosso time (Ferreiras) jogou de verde e, por uma dessas “provas de amor” ridículas a uma namorada, meu irmão acabou jogando com a camisa do Palmeiras, apesar de ser corintiano (eu, por solidariedade, fiz o mesmo). Destaque para o jornal que o Mark preparou antes do evento, com uma foto histórica do pessoal da Vilinha.

No ano seguinte, já de uniforme alvinegro, o Ferreiras foi campeão de forma heróica. A nota triste foi a contusão do Rafa, que rompeu os ligamentos do joelho em uma partida ainda na primeira fase.

Os anos foram passando, outros torneios foram criados para preencher o calendário anual (Paloma Kelly, Prévia do Amigos do Rafa), times foram acrescentados (Mark’s, Letícia, Vlad’s, Castro, etc.) e a coisa começou a sair do controle. Na edição de 1998, houve um quebra-pau após a final, quando o Alfredo humilhou um time de funcionários de uma padaria de um colega de faculdade (!).

Apesar dos sinais de que o objetivo inicial do torneio (comemorar um aniversário) tinha saído do controle, o gigantismo continuava. Para se ter uma idéia, o campeonato chegou a ter três divisões na última vez em que foi realizado, em 2002. Essa edição, aliás, é totalmente esquecível, com muitas confusões, brigas, ameaças, ou seja, nada que lembre uma festa.

Faz cinco anos que não temos um Amigos do Rafa, por esses e outros problemas. Retomá-lo nos próximos anos, principalmente no período em que era realizado (dezembro), parece inviável pelos compromissos que todos têm atualmente. Mas revelo: esse é o sonho do meu irmão.

Ele deve ficar orgulhoso de ter organizado, de forma estupenda, uma competição por NOVE anos seguidos que possuía arbitragem contratada, equipes uniformizadas, troféus, três divisões, regulamento claro, etc. No entanto, acredito que não é disso que ele tem saudade, mas sim da reunião de amigos que ele promovia, em torno de algo que ele sempre gostou: jogar bola.

Quem quiser contribuir para a realização do 10º Amigos do Rafa tem de estar atento às seguintes regras:

– todos os jogadores precisam conhecer o Rafael.
– jogue sério, mas jamais brigue.
– esqueça a “tradição”: os times serão formados aleatoriamente

E aí, alguém topa me ajudar nesta empreitada?

(Este texto é uma forma de dar os parabéns antecipadamente ao meu querido irmão Rafael, que completa 31 anos neste 22 de dezembro)


Melhor Corinthians do meu tempo: Gamarra – Camisa 4

dezembro 7, 2007

gamarra-corinthians.jpgA ressaca do rebaixamento deveria me desanimar a escrever sobre futebol e, principalmente, Corinthians. Quando passamos por momentos difíceis, porém, sempre é bom lembrar de situações felizes para amenizar a dor.

Recordar a presença de Gamarra na zaga corintiana é algo que dá gosto. Um jogador técnico, que se antecipava às jogadas e não precisava apelar para as faltas. Nas bolas aéreas, apesar de sua altura (1,80m), conseguia bom aproveitamento, muito por causa de seu posicionamento na área.

Carlos Alberto Gamarra Pavón nasceu no Paraguai em fevereiro de 1971. Depois de jogar pelo Cerro Porteño, transferiu-se para o Internacional/RS em 1995 e, no ano seguinte, teve uma rápida passagem pelo Benfica, de Portugal. No início de 98, ele se chegava ao Corinthians junto a outras apostas, como Vampeta, para fazer parte do esquadrão idealizado por Vanderlei Luxemburgo.

gamarra-paraguai.jpgApós um primeiro semestre sem tanto destaque no Timão, o zagueiro disputou a Copa do Mundo pela seleção paraguaia e teve uma atuação espetacular. Em quatro partidas, não cometeu nenhuma falta e acabou escolhido como melhor defensor da competição.

Com o melhor zagueiro do mundo em campo, o Corinthians mostrou ter o melhor time do Brasil. Além de ajudar a defesa, o paraguaio colaborou na conquista do título nacional com três gols (todos de cabeça), um deles contra o Santos, na semifinal. Foi nessa partida, que terminou 2 a 1 para o Peixe, que eu conheci a Vila Belmiro e sua maravilhosa vista da torcida visitante.

gamarra-taca.jpgNo início de 99, Gamarra conquistou mais um título, o Paulistão. A decisão, marcada pelas embaixadinhas do Edílson, também foi o último jogo do zagueiro com a camisa corintiana. Durante a volta olímpica, eu estava entre os torcedores do Morumbi que imploravam: “fica, Gamarra”. No entanto, ele preferiu ganhar muito mais no Atlético de Madri e, com isso, perdeu a chance de ser campeão mundial no ano seguinte.


20 anos depois, Corinthians é rebaixado

dezembro 3, 2007

O pentacampeonato nacional do São Paulo neste ano fez ressurgir a polêmica se o Flamengo é ou não cinco vezes campeão brasileiro. Isso acontece porque um dos títulos da equipe carioca foi conquistado em 1987, ano em que o Brasileirão teve o nome de Copa União.

Eu sou daqueles que reconhece a conquista flamenguista, pois entendo que o Módulo Verde foi o verdadeiro Campeonato Brasileiro de 87. Assim, lembro que o Corinthians terminou aquele campeonato na 16ª (e última) colocação, o que rebaixaria a equipe na ocasião. A queda só não ocorreu porque no ano seguinte o Brasileirão contou com 24 clubes, graças a um acordo entre Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e Clube dos 13.

A Marlene Matheus deu uma declaração logo após o apito final de Grêmio 1 x 1 Corinthians de que “isso (a queda) nunca aconteceria nas mãos do Vicente”. Só não aconteceu porque, na época em que ele era presidente, virada de mesa era algo normal.

Em 2000, no mesmo ano em que foi campeão Mundial, o Timão terminou a famigerada Copa João Havelange (Módulo Azul) na 24ª colocação (a penúltima). Novamente, se o campeonato tivesse sido sério, era outro rebaixamento à vista (apesar de, pelas regras das competições anteriores, havia uma espécie de “ranking do descenso”. Como o Corinthians era o atual bicampeão brasileiro – 98/99 -, dificilmente cairia).

Esse preâmbulo serve para mostrar que a ida do Timão para a segunda divisão não é algo isolado na história do clube. Lógico que agora a dor da torcida é maior, mas em algumas situações o time fez campanhas medíocres e merecia ser castigado.

Este ano, então, o rebaixamento foi merecidíssimo. Nem vou citar as chances que a equipe teve para se salvar e não aproveitou. Prefiro me concentrar no fato de o time ser o segundo pior em número de vitórias (10) e gols marcados (40), em 38 partidas. É a constatação de que o Corinthians não entrava para ganhar ou, se entrava, era muito incompetente.

Mesmo sabendo que a queda para a segundona era clara, mantive-me esperançoso até o fim. Aliás, quase. Quando o Goiás fez 2 a 1 no Internacional, ficou estampado na cara dos torcedores, eu inclusive, que a vaca tinha ido para o brejo. Os jogadores não davam sinais de que haveria alguma chance de gol.

Ao término da partida, não chorei. Assimilei o resultado e, por mais triste que seja o descenso, o jeito é continuar fiel à equipe e esperar os confrontos contra Criciúma, Bragantino, Barueri, CRB, ABC/RN e Gama. Antes disso, teremos o Paulistão e a Copa do Brasil. Por mais que tudo indique que a situação só tende a piorar, eu, como torcedor, creio na possibilidade de um 2008 redentor.