Rappin’ Hood em Atibaia: público decepciona

janeiro 29, 2008

Escrevi aqui há algum tempo que fujo de shows gratuitos, mas resolvi arriscar no último sábado (26/01), ao saber que Rappin’ Hood estaria em Atibaia. A apresentação estava marcada para as 20 horas, no campo do Jd. Imperial, bem longe do Centro, onde moro. Mesmo temendo que o lugar estivesse lotado, programei-me para chegar em cima da hora.

Ao descer do ônibus, percebi que o meu temor não fazia sentido. Cheguei lá 20 minutos antes do horário marcado e nem 50 pessoas acompanhavam a apresentação do grupo local Poetas Periféricos. Logo pensei: o show do Rappin’ Hood vai demorar muito para começar, pois ele vai esperar o público aumentar para entrar no palco. Mais uma vez eu me enganei: às 20 horas em ponto, o “negrinho magrelo, com uma mancha no olho” começou a cantar “É tudo no meu nome”.

Naquela situação constrangedora, Rappin’ Hood não deixou a peteca cair. O rapper fez seu show direitinho, ao lado do DJ Primo (que tocava com Marcelo D2 na época do “À Procura da Batida Perfeita”) e do percussionista Beto Repinique, apesar de parecer com pressa, pois a todo momento ele lembrava que, às 23 horas, apresentaria o programa Rap du Bom, na 105 FM.

No total, ele cantou nove músicas, em aproximadamente 50 minutos. Quatro raps eram de seu primeiro CD, “Sujeito Homem” (“É tudo…”, “Rap du bom”, “Sou Negrão” e “Suburbano”), quatro de “Sujeito Homem 2” (“Ex-157”, “Us playboy”, “Rap o som da paz” e “Us guerreiro”) e uma música em homenagem a Sabotage, que eu não conhecia.

Mesmo com um público decepcionante, pude constatar mais uma vez que Rappin’ Hood é um dos principais rappers do Brasil, ao fazer misturas interessantes com samba, escolher samples de qualidade, rimar com precisão e compor letras acima da média. Se Racionais são os primeiros, ele vem logo atrás, ao lado de MV Bill, Xis, Thaíde & DJ Hum (juntos ou separados), GOG e o finado Sabotage.

Vale lembrar que esse é o quarto show que assisto de Rappin’ Hood. O primeiro (que eu considero o melhor dele que já vi) foi no Blen Blen, no lançamento de “Sujeito Homem”. Com MV Bill e Pregador Luo (Apocalipse 16) na platéia, o rapper contou com a participação das pessoas que o ajudaram a fazer o CD, como Leci Brandão e KL Jay.

O segundo foi em 2003, na quadra da Gaviões da Fiel. Minha análise dessa apresentação fica prejudicada porque, na seqüência, foram os Racionais que entraram no palco, no melhor show da minha vida. Já o terceiro foi no Chimera Hip Hop, quando estava mais interessado em assistir a Marcelo D2 e O Rappa.

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Visita ao Museu da Bíblia

janeiro 25, 2008

Há exatamente um ano, eu visitava o Museu da Bíblia. Abaixo, segue um texto que fiz para o Informativo da Igreja Metodista Livre de Pinheiros sobre a visita:

Na manhã do último dia 25 de janeiro, um grupo de nossa igreja visitou o Museu da Bíblia, localizado em Barueri. Foi um período de comunhão e muito aprendizado sobre a Palavra de Deus.

Uma das principais dúvidas de quem foi conhecer o museu era a seguinte: o que veremos lá, além de vários exemplares de Bíblias? Sim, no local havia Bíblias de diversos tamanhos e idiomas, mas felizmente as atrações não se restringiam a isso.

Para quem se interessa pela parte histórica, há seções que explicam a formação da Bíblia como um livro único, como ela chegou ao Brasil, os seus principais tradutores, além de contar a história das Sociedades Bíblicas em todo o mundo. Destaque para uma réplica da prensa que Johannes Gutemberg usou para imprimir o primeiro livro do mundo: uma edição da Bíblia em latim (há uma réplica também desse livro no museu).

Aqueles que têm mais intimidade com o texto bíblico podem testar seus conhecimentos no “Show do Cristão”, programa de computador que simula o programa de TV “Show do Milhão”. Outro desafio é montar um espécie de quebra-cabeça em que cada “peça” representa um livro da Bíblia, incluindo os apócrifos ou deuterocanônicos.

Aos leitores que gostariam de conhecer um pouco mais sobre os costumes e fatos narrados pela Bíblia, o museu possui réplicas das vestes utilizadas pelo apóstolo Paulo (antes e depois da conversão), um programa multimídia com imagens dos lugares em que viveram os personagens bíblicos e uma seção que reproduz cheiros narrados nas Escrituras, como o de mirra.

Enfim, quem foi ao passeio notou o quanto a Palavra de Deus deve ser valorizada. Espero que possamos fazer isso em nossas vidas.


Biografia musical

janeiro 21, 2008

Nas últimas semanas, a leitura do livro “Vale Tudo”, biografia de Tim Maia escrita por Nelson Motta, e da lista dos 100 melhores discos da música brasileira, publicada pela revista Rolling Stone, fez com que eu questionasse o meu conhecimento musical. Por mais que eu goste do assunto, noto que pouco sei.

Em casa, por situação financeira ou cultural mesmo, meus pais nunca foram de consumir música. Só tive um aparelho de toca-disco em 1990, quando o LP já estava com os dias contados, e meu primeiro 13º salário, em 1996, foi investido em um toca-CD.

De lá para cá, até que obtive um número considerável de CDs, priorizando grupos de Rap e de bandas pop nacionais. Abaixo, segue uma pequena biografia musical:

– Até 1990, lembro de pouca coisa na minha vida musical. Era muito novo (infelizmente) para entrar na onda de Thriller, mas tinha a fita K7 de Bad e imitava o moonwalk de Michael Jackson (o que me rendeu seis pontos na cabeça). Meu irmão trocou um “vale-disco” pela fita K7 de “Sexo”, do Ultraje a Rigor, o que me fez gostar do grupo. Pirei com Technotronic quando estava na quarta série. E, para minha vergonha, gostei tanto de Menudos quanto de New Kids on The Block.

– Comecei a ir à igreja em 1991 e tive uma fase em que só ouvia música evangélica. Até 93, troquei a Transamérica pela Gospel FM e passei a curtir Katsbarnea, Rebanhão, Kadoshi e outros grupos que anunciavam a fé em Jesus Cristo. Das músicas “do mundo”, ouvia Guns n’ Roses, apesar de nunca ter sido fã de heavy metal. No final de 93, descobri Gabriel O Pensador e seu “Retrato de um Playboy”, o que aumentou meu interesse pelo rap, e Skank, graças à inclusão da música “O Homem que Sabia Demais” na trilha da novela global “Olho no Olho”.

– Passada a “fase exclusivamente gospel”, Racionais MC’s marcaram minha oitava série (1994), com os clássicos “Fim de Semana no Parque” e “Homem na Estrada”. Fui ao M200 Summer Concert para assistir Gabriel O Pensador e quem abriu o show foi um tal de Chico Science e Nação Zumbi. A banda tocou “Rios, Pontes e Overdrives” e eu achei a coisa mais esquisita do mundo. Entre meus amigos da escola, o que rolava era o pagode de Raça Negra, Só Pra Contrariar e outros grupos. Neste ano, compus meu primeiro rap, “O Nome Dele é Jesus”.

– Em 1995, demorei para engolir o fenômeno “Mamonas Assassinas”. Em um show promovido pela rádio 89FM, cheguei a assistir à banda ao vivo, assim como Barão Vermelho, Raimundos, Skank e Titãs, que fazia sucesso com “Domingo”. Porém, o que me marcou neste ano foram as minhas primeiras apresentações e a composição de três dos meus maiores “hits”: “MC Empada”, “Rap de Adoração” e “Monarca”.

– No Show da Virada da Globo que comemorava a chegada de 1996 eu vi pela primeira vez o Gera Samba, que depois viraria “É o Tchan”. Garota Nacional, do Skank, bombou nas rádios, e minha “carreira musical” seguia firme: comecei a me apresentar junto com a banda Escravos de Cristo e compus mais três músicas: “Office-boy de Cristo”, “Evangelho” e “Nada Vai”. O “álbum” que eu mais ouvi no ano foi a “fita verde” dos Escravos de Cristo, que em 90 minutos contém 23 músicas.

– Com o toca-CD comprado no final do ano anterior, foi em 97 que comecei a consumir música de verdade. O rap internacional era obrigatório com NWA, 2Pac e Snoop Dogg, comprei CDs de bandas nacionais (Chico Science e Nação Zumbi e Planet Hemp) e, em novembro, adquiri o histórico “Sobrevivendo no Inferno”, dos Racionais MC’s (do grupo, já tinha gravado uma coletânea que reunia os discos anteriores). Em março, formei a MC Empada e Banda, junto com o tecladista Cel e o baterista Brack, além de ter composto durante o ano a música “Ministério”.

– Entrei na faculdade em 98, mas no primeiro ano do curso de jornalismo pouco acrescentei ao meu “repertório musical”. Era ano de Copa do Mundo e um dos comerciais da Nike com a seleção brasileira tinha como trilha a música “Mas que Nada” (na versão do Tamba Trio), o que me fez gostar ainda mais de Jorge Ben. Como rapper, compus mais uma música, “Senhor da História”.

– Não compus nenhuma música em 1999, mas fiz neste ano minha única apresentação “interestadual”: fui cantar em Volta Redonda, após um convite que recebi por e-mail. Em relação às influências, “conheci” a Bossa Nova após ler o “Chega de Saudade: a História e as Histórias da Bossa Nova”, de Ruy Castro, e comprar um CD da Nara Leão com vários clássicos do ritmo. Continuava consumindo pop nacional e ouvia “Zóio de Lula”, de Charlie Brown Júnior, fazer sucesso.

– O ano 2000 foi de muitos ensaios e apresentações, além da composição de “Daniel”. Os Escravos de Cristo lançaram seu primeiro CD, “Capítulo I”, e também comprei alguns CDs de rap nacional, como Xis e Thaíde e DJ Hum.

– As minhas apresentações rarearam em 2001, mas meu gosto por rap não. Foi nessa época que ouvi o então novo disco do Dr. Dre (lançado em 1999, mas batizado coincidentemente de “2001”), que tinha como carro-chefe a sensacional “The Next Episode”. De rap nacional, adquiri o primeiro CD solo do DJ KL Jay, dos Racionais, “KL Jay na Batida Vol. 3 – Equilíbrio, a Busca”.

– Em 2002, voltei a me apresentar, principalmente nos Pontos de Encontro, lá em Diadema, e compus a música “Cuidado”. Nesse mesmo ano, comprei os lançamentos de Racionais (“Nada Como um Dia Após o Outro Dia”), Xis (Fortificando a Desobediência) e achei em um camelô o original (mas usado) de “HIStory”, coletânea do Michael Jackson.

– Com o fim da MC Empada e Banda, o jeito era me divertir com as músicas dos outros em 2003. No ano, o destaque fica com a batida perfeita de Marcelo D2, mas Sabotage (que morrera em janeiro) também tocou bastante em minha casa, primeiro pela trilha sonora do filme “O Invasor”, depois pelo álbum “Rap é Compromisso”.

– O Rappa e o seu “O Silêncio que Precede o Esporro” foi o que me empolgou em 2004. Assisti ao ótimo show da banda no esvaziado Chimera Hip Hop, assim como vi Rappin Hood cantar o seu “Us Playboy” (“os playboys têm carro, têm poder e têm dinheiro, mas não têm sossego, não têm sossego…”).

– O hit de 2005 foi “Senhorita”, interpretada pelos rappers Cabal e Lino Crizz. No final do ano, ganhei de aniversário o CD “Essential”, coletânea do Michael Jackson, e mais uma vez “redescobri” o cantor, principalmente pelas músicas da fase Jackson 5.

– Com um computador decente e banda larga, finalmente entrei para o mundo dos P2P. Das músicas baixadas, destaque para Tim Maia e sua fase racional. Das novidades, quem me encantou em 2006 foi Paula Lima e seu CD “Sinceramente”.

– Nem tanto pelo DVD “1000 Trutas, 1000 Tretas”, mas sim por causa deste blog, meu MP3 player sempre contou com músicas dos Racionais em 2007 (aliás, ainda estou devendo a análise de “Nada como um dia…”). De resto, não me liguei tanto a coisas novas.

E em 2008, o que posso esperar em relação à música?


Um ano em uma ilha deserta: o que levar?

janeiro 3, 2008

Ao ler o blog do Marmota, vi que há um meme criado pelo blog Sinestesia com um questionário sobre como passar um ano em uma ilha deserta, com algumas regalias. Gostei da idéia e abaixo seguem as minhas respostas:

Você vai passar exatamente um ano em uma ilha deserta. Lá existe uma certa infra-estrutura limitada, e apesar de algumas regalias (que dizem respeito ao que realmente importa em sua vida), você não terá a companhia de absolutamente mais ninguém. Tendo isso em mente, responda:

1. Na ilha você terá água à vontade e frutas nativas. Se souber pescar, com sorte vai poder comer um peixe de vez em quando. Fora isso, você terá que escolher apenas um tipo de comida salgada e um tipo de comida doce para comer todos os dias, o ano inteiro (podem ser cruas ou cozidas). Quais você escolhe?
Pizza de mussarela e chocolate Diamante Negro.

2. Além da água (e, também com sorte, água de côco se você estiver disposto a subir no coqueiro) não há nenhuma outra bebida na ilha, mas você pode também escolher um único tipo de bebida, fria ou quente, alcoólica ou não, para ter à sua disposição ao longo do ano. Qual você escolhe?
Coca-cola.

3. Para manter a tradição, você pode também levar um único livro. Que livro você leva?
Essa é fácil: a Bíblia.

4. Igualmente, você poderá levar um único filme para assistir. Que filme você leva?
Aqui começa a complicar, mas vamos lá: Todos os Corações do Mundo.

5. Você terá um notebook à sua disposição, mas com um único programa instalado. Mas você não pode usar um programa de comunicação (como email ou mensagens instantâneas). Qual programa teria mais utilidade para você e por que?
Civilization II. Em um ano, acho que finalmente conseguiria vencer nos níveis Imperador e Divindade.

6. Você poderá acessar a internet, mas este acesso é limitado a um único site, o ano todo. (Se você escolher o Google, por exemplo, não poderá navegar para os links dos resultados da sua busca, que estão fora do Google). Também não pode ser seu webmail, Meebo e afins ou sites de notícias (o que elimina os portais). Fora isso, não há restrição nenhuma ao tipo de site, inclusive os que permitem comunicação de outros tipos. A qual site você quer ter acesso por um ano e por que?
Pelo que entendi das regras, o Orkut está liberado, então é o meu escolhido. Manteria um mínimo de comunicação com o mundo e visitaria as comunidades dos assuntos que me interessam.

7. Você também poderá ouvir música. Mas, claro, você terá que ouvir a mesma música o ano todo, pois só pode escolher uma. Qual você leva? E se fosse um CD?
Essa é a mais difícil de todas. Música seria “Rock with you”, do Michael Jackson. Em vez de CD, eu levaria a “fita verde” da banda Escravos de Cristo: 23 músicas que marcaram minha adolescência.

8. Você poderá escolher um dia do ano para fazer uma única ligação para uma única pessoa, com quem poderá falar por 10 minutos. Para quem você vai ligar, quando e por que?
Ligaria para minha esposa no aniversário dela e daria os parabéns. Aproveitaria para dizer o quanto ela me faz falta e contaria tudo o que passei por lá.

9. Você poderá escolher um programa de TV para assistir ao longo deste ano na ilha – limitado à freqüência de uma vez por semana. Você só não poderá assistir nenhum tipo de noticiário, fora isso não há restrições. Que programa você quer assistir?
Casseta e Planeta, para dar umas risadas.

10. Quando for seu aniversário, você terá direito a receber uma carta de um(a) amigo(a) ou familiar que tenha uma novidade para contar (sobre si próprio ou não). De quem você gostaria de receber a carta e com qual notícia?
A carta é da minha esposa e gostaria de receber a notícia de que ela está me esperando ansiosamente.

11. Como não queremos que você transforme uma bola de vôlei no seu melhor amigo imaginário e a única pessoa na ilha será você, você terá direito a levar um animal de estimação para lhe fazer companhia (veja como estou facilitando sua vida!). Que tipo de animal você escolhe e por que? É um animal que você já tenha?
Dispenso o animal. Mal daria conta da minha higiene, imagine um bicho fazendo suas necessidades pela ilha toda…

12. Do que você acha que sentirá mais falta? (Contato com as pessoas, tecnologia, não saber o que está acontecendo no mundo, etc…)
Com certeza, das pessoas. Ficar sem contato com a esposa, parentes, amigos, isso é muito complicado.

13. Por outro lado, o que você acha que será positivo, proveitoso ou benéfico na experiência? Ou divertido?
Seria uma ótima experiência para melhorar meu relacionamento com Deus. Sem os afazeres do dia-a-dia, teria mais tempo para orar, ler a Bíblia e ouvir o que o Senhor quer de mim.

14. Por fim, você tem direito a levar 3 outros itens à sua escolha que:
a) não entrem em contradição com nenhuma das perguntas anteriores
b) não seja algo que você vá usar para sair da ilha, como um barco, por exemplo.
O que você vai levar e por que?

Um pinico confortável, para não ter que fazer minhas necessidades agachado; um colchão, para boas noites de sono; uma geladeira, para tomar minha Coca-Cola bem gelada.