Biografia musical

Nas últimas semanas, a leitura do livro “Vale Tudo”, biografia de Tim Maia escrita por Nelson Motta, e da lista dos 100 melhores discos da música brasileira, publicada pela revista Rolling Stone, fez com que eu questionasse o meu conhecimento musical. Por mais que eu goste do assunto, noto que pouco sei.

Em casa, por situação financeira ou cultural mesmo, meus pais nunca foram de consumir música. Só tive um aparelho de toca-disco em 1990, quando o LP já estava com os dias contados, e meu primeiro 13º salário, em 1996, foi investido em um toca-CD.

De lá para cá, até que obtive um número considerável de CDs, priorizando grupos de Rap e de bandas pop nacionais. Abaixo, segue uma pequena biografia musical:

– Até 1990, lembro de pouca coisa na minha vida musical. Era muito novo (infelizmente) para entrar na onda de Thriller, mas tinha a fita K7 de Bad e imitava o moonwalk de Michael Jackson (o que me rendeu seis pontos na cabeça). Meu irmão trocou um “vale-disco” pela fita K7 de “Sexo”, do Ultraje a Rigor, o que me fez gostar do grupo. Pirei com Technotronic quando estava na quarta série. E, para minha vergonha, gostei tanto de Menudos quanto de New Kids on The Block.

– Comecei a ir à igreja em 1991 e tive uma fase em que só ouvia música evangélica. Até 93, troquei a Transamérica pela Gospel FM e passei a curtir Katsbarnea, Rebanhão, Kadoshi e outros grupos que anunciavam a fé em Jesus Cristo. Das músicas “do mundo”, ouvia Guns n’ Roses, apesar de nunca ter sido fã de heavy metal. No final de 93, descobri Gabriel O Pensador e seu “Retrato de um Playboy”, o que aumentou meu interesse pelo rap, e Skank, graças à inclusão da música “O Homem que Sabia Demais” na trilha da novela global “Olho no Olho”.

– Passada a “fase exclusivamente gospel”, Racionais MC’s marcaram minha oitava série (1994), com os clássicos “Fim de Semana no Parque” e “Homem na Estrada”. Fui ao M200 Summer Concert para assistir Gabriel O Pensador e quem abriu o show foi um tal de Chico Science e Nação Zumbi. A banda tocou “Rios, Pontes e Overdrives” e eu achei a coisa mais esquisita do mundo. Entre meus amigos da escola, o que rolava era o pagode de Raça Negra, Só Pra Contrariar e outros grupos. Neste ano, compus meu primeiro rap, “O Nome Dele é Jesus”.

– Em 1995, demorei para engolir o fenômeno “Mamonas Assassinas”. Em um show promovido pela rádio 89FM, cheguei a assistir à banda ao vivo, assim como Barão Vermelho, Raimundos, Skank e Titãs, que fazia sucesso com “Domingo”. Porém, o que me marcou neste ano foram as minhas primeiras apresentações e a composição de três dos meus maiores “hits”: “MC Empada”, “Rap de Adoração” e “Monarca”.

– No Show da Virada da Globo que comemorava a chegada de 1996 eu vi pela primeira vez o Gera Samba, que depois viraria “É o Tchan”. Garota Nacional, do Skank, bombou nas rádios, e minha “carreira musical” seguia firme: comecei a me apresentar junto com a banda Escravos de Cristo e compus mais três músicas: “Office-boy de Cristo”, “Evangelho” e “Nada Vai”. O “álbum” que eu mais ouvi no ano foi a “fita verde” dos Escravos de Cristo, que em 90 minutos contém 23 músicas.

– Com o toca-CD comprado no final do ano anterior, foi em 97 que comecei a consumir música de verdade. O rap internacional era obrigatório com NWA, 2Pac e Snoop Dogg, comprei CDs de bandas nacionais (Chico Science e Nação Zumbi e Planet Hemp) e, em novembro, adquiri o histórico “Sobrevivendo no Inferno”, dos Racionais MC’s (do grupo, já tinha gravado uma coletânea que reunia os discos anteriores). Em março, formei a MC Empada e Banda, junto com o tecladista Cel e o baterista Brack, além de ter composto durante o ano a música “Ministério”.

– Entrei na faculdade em 98, mas no primeiro ano do curso de jornalismo pouco acrescentei ao meu “repertório musical”. Era ano de Copa do Mundo e um dos comerciais da Nike com a seleção brasileira tinha como trilha a música “Mas que Nada” (na versão do Tamba Trio), o que me fez gostar ainda mais de Jorge Ben. Como rapper, compus mais uma música, “Senhor da História”.

– Não compus nenhuma música em 1999, mas fiz neste ano minha única apresentação “interestadual”: fui cantar em Volta Redonda, após um convite que recebi por e-mail. Em relação às influências, “conheci” a Bossa Nova após ler o “Chega de Saudade: a História e as Histórias da Bossa Nova”, de Ruy Castro, e comprar um CD da Nara Leão com vários clássicos do ritmo. Continuava consumindo pop nacional e ouvia “Zóio de Lula”, de Charlie Brown Júnior, fazer sucesso.

– O ano 2000 foi de muitos ensaios e apresentações, além da composição de “Daniel”. Os Escravos de Cristo lançaram seu primeiro CD, “Capítulo I”, e também comprei alguns CDs de rap nacional, como Xis e Thaíde e DJ Hum.

– As minhas apresentações rarearam em 2001, mas meu gosto por rap não. Foi nessa época que ouvi o então novo disco do Dr. Dre (lançado em 1999, mas batizado coincidentemente de “2001”), que tinha como carro-chefe a sensacional “The Next Episode”. De rap nacional, adquiri o primeiro CD solo do DJ KL Jay, dos Racionais, “KL Jay na Batida Vol. 3 – Equilíbrio, a Busca”.

– Em 2002, voltei a me apresentar, principalmente nos Pontos de Encontro, lá em Diadema, e compus a música “Cuidado”. Nesse mesmo ano, comprei os lançamentos de Racionais (“Nada Como um Dia Após o Outro Dia”), Xis (Fortificando a Desobediência) e achei em um camelô o original (mas usado) de “HIStory”, coletânea do Michael Jackson.

– Com o fim da MC Empada e Banda, o jeito era me divertir com as músicas dos outros em 2003. No ano, o destaque fica com a batida perfeita de Marcelo D2, mas Sabotage (que morrera em janeiro) também tocou bastante em minha casa, primeiro pela trilha sonora do filme “O Invasor”, depois pelo álbum “Rap é Compromisso”.

– O Rappa e o seu “O Silêncio que Precede o Esporro” foi o que me empolgou em 2004. Assisti ao ótimo show da banda no esvaziado Chimera Hip Hop, assim como vi Rappin Hood cantar o seu “Us Playboy” (“os playboys têm carro, têm poder e têm dinheiro, mas não têm sossego, não têm sossego…”).

– O hit de 2005 foi “Senhorita”, interpretada pelos rappers Cabal e Lino Crizz. No final do ano, ganhei de aniversário o CD “Essential”, coletânea do Michael Jackson, e mais uma vez “redescobri” o cantor, principalmente pelas músicas da fase Jackson 5.

– Com um computador decente e banda larga, finalmente entrei para o mundo dos P2P. Das músicas baixadas, destaque para Tim Maia e sua fase racional. Das novidades, quem me encantou em 2006 foi Paula Lima e seu CD “Sinceramente”.

– Nem tanto pelo DVD “1000 Trutas, 1000 Tretas”, mas sim por causa deste blog, meu MP3 player sempre contou com músicas dos Racionais em 2007 (aliás, ainda estou devendo a análise de “Nada como um dia…”). De resto, não me liguei tanto a coisas novas.

E em 2008, o que posso esperar em relação à música?

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