A poupança Bamerindus (!) continua numa boa

novembro 6, 2008

itaunibancoA fusão do Itaú com o Unibanco, anunciada na última segunda-feira, fez-me lembrar dos meus tempos de rapper. Uma das minhas músicas, composta em 1996, chamava-se “Office boy de Cristo”, e contava um pouco do meu cotidiano:

…De firma em firma, entregando correspondência
De banco então, tenho vasta experiência
Bradesco, Banespa, Itaú,
Nossa Caixa Nosso Banco, Unibanco, América do Sul

O mercado bancário, no entanto, mudou muito de lá para cá. O Santander adquiriu o Banespa em 2000, o banco estatal de São Paulo virou só Nossa Caixa (e já vai ser vendido para o Banco do Brasil), a marca Unibanco, pelo que entendi, sumirá do mapa em breve, e o América do Sul foi vendido para o Sudameris, que depois foi adquirido pelo Itaú Real (obrigado pela correção, Fabio).

Completo 28 anos nesta quinta-feira e passei refleti como as coisas não duram para sempre. No início dos anos 1990, a poupança Bamerindus estava numa boa (o banco foi vendido ao HSBC em 1997, em transação nebulosa). A partir disso, comecei a analisar minhas letras da época de MC Empada e vi que muito do que falei se perdeu atualmente. Confiram:

Você deve estar achando esquisito
Um moleque que fala de Jesus Cristo (Rap de Adoração, 1995)
– com 15 anos, normal se apresentar como um moleque. Hoje isso não seria possível

E o dinheiro, infelizmente, é o Deus do mundo
Garotos sonham em se tornar um Edmundo (Cuidado, 2002)
– na época ele já não estava lá grandes coisas. Hoje, então, qual menino gostaria de se tornar um Edmundo, atacante do Vasco que joga uma vez sim, quatro não?

Pois a mídia toda está contra o nosso lado
Ela mostra que ser cristão é uma bobagem
Enquanto isto passa a novela “A Viagem” (MC Empada, 1995)
– a novela “A Viagem” já passou até no Vale a Pena Ver de Novo. E, com a compra da Record pela Universal, é muito simplista dizer que a mídia toda está contra os cristãos evangélicos

Em dizer que eu só falo bobagem
Só porque eu tenho catorze anos na bagagem (MC Empada, 1995)
– hoje só tenho o dobro desta idade

Finalmente, MC Empada
Tem sua banda formada
Cel no teclado, Brack na bateria (Ministério, 1997)
– a banda não existe mais. Há pelo menos cinco anos que não nos apresentamos juntos

Estava eu, MC Empada
Na época das Olimpíadas (Nada Vai, 1996)
– a música até parece atual. Parece, pois estava me referindo às Olimpíadas de Atlanta.

E isso era ainda mais frustrante
Para uma carreira não muito triunfante
Nos esportes em geral
É, nunca fui “o animal” (Nada Vai, 1996)
– quem usa a expressão “animal” hoje em dia?

E aconteceu uma coisa animadora
Enviei uma fita minha pra uma gravadora (Nada Vai, 1996)
– qual músico envia “fita” para uma gravadora atualmente?

Podem parecer coisas inocentes
Da cabeça de um adolescente (Nada Vai, 1996)
– com 28 anos, não posso mais me considerar um adolescente, né?

Nas ruas de São Paulo, no bairro de Pinheiros
Trabalho como boy, não ganho muito dinheiro (Office boy de Cristo, 1996)
– continuo não ganhando muito. Mas creio que os motoboys praticamente extinguiram com os office boys

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Por que voto em Marta Suplicy

outubro 24, 2008

Nas duas últimas eleições, questionei-me bastante sobre o modo como escolho meus candidatos. Apesar de não ser filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), normalmente aperto o 13 na urna eletrônica.

A primeira crise de consciência ocorreu na reeleição de Lula. Como votar no PT novamente, após os “escândalos” do mensalão, do caseiro, do dólar na cueca, da Land Rover do Silvinho, das suspeitas de propinas em Santo André (caso Celso Daniel), da suposta máfia do lixo em Ribeirão Preto (Leão Leão), etc?

Diante de tantas suspeitas, pensava em votar na Heloísa Helena ou no Cristovam Buarque (dois ex-petistas, por sinal). Os anos FHC e os então 12 anos do PSDB em São Paulo eu conhecia bem, então não ia desperdiçar minha confiança nos tucanos. Mas daí, perguntei-me: por que não votar no Lula?

Sempre votei nele e no PT porque acreditava que os mais pobres seriam beneficiados (aliás, tem gente que critica o partido justamente por essa característica de se preocupar com o povão). E, nesse ponto, não me decepcionei. Houve uma grande redução da miséria, tendo como carro-chave o Bolsa Família, e a política econômica austera aumentou a confiança externa no país e combateu a inflação com eficácia, beneficiando quem mais precisa.

Esses fatos e minha experiência de dois anos como funcionário de uma Câmara Municipal, que me ensinou que a política é, antes de tudo, “a arte do possível”, fizeram com que eu votasse em Lula desde o primeiro turno em 2006. Para as eleições deste ano, minha escolha foi mais tranqüila.

O governo de Marta Suplicy de 2001 a 2004 privilegiou os mais pobres. Entre os seus programas, destacam-se a construção dos CEUs (todos em bairros periféricos) e a criação do Bilhete Único, que teve um impacto muito grande na população que depende do transporte público. Até o principal defeito do governo dela, a criação de taxas, punia os ricos, e não os necessitados. Eu, que morava em uma quitinete no Centro, era isento de IPTU e taxa do lixo.

Ao observar o resultado do primeiro turno da eleição em São Paulo, percebo que os mais pobres reconhecem o trabalho da ex-prefeita. Em Parelheiros, 69,9% dos votos foram para Marta. A votação expressiva se repetiu no Grajaú (68,4%), em Cidade Tiradentes (62%) e Guianases (56,9%). No Jardim Paulista, por exemplo, somente 11,1% do eleitorado apostou nela.

Podem argumentar que os pobres votam nela por “falta de informação”, mas será que as melhorias na periferia não contam? Quando fui a Parelheiros, em 2004, fiquei impressionado de haver um corredor de ônibus novinho, no mesmo molde daquele da Av. Rebouças. Ao ir de trem para Mogi das Cruzes, avistei um CEU no extremo leste da cidade, que parecia um oásis para aquela população.

Os mais ricos dependem menos de seus governantes. Seja Kassab ou Marta o vencedor da eleição, a vida de quem circula apenas onde tem rodízio de veículos não vai mudar muito. Para quem está esquecido, o governo do PT parece ser mais eficaz.

Infelizmente, muitas pessoas optam pelo candidato do DEM porque “ele deixou a cidade mais bonita”. Caso Kassab vença, como parece que vai ocorrer, torço para que ele se lembre dos mais necessitados.


Sou péssimo para dar presentes

setembro 25, 2008

Hoje a minha esposa completa 29 anos e, como ocorre em qualquer casamento feliz, deveria ser um dia de muita comemoração. Em meio à festa, uma coisa não poderia faltar: o presente.

O problema está aí, pois sou péssimo para dar presentes. Não sei se é minha criação, meu espírito não-consumista, minha fobia para entrar em lojas, ou tudo isso junto, que me atrapalham na hora de escolher uma lembrancinha a quem gosto muito. Por mais que conheça a pessoa, dificilmente tenho uma sacada para encontrar exatamente aquilo que ela precisa.

Em um dos aniversários da minha esposa, resolvi comprar flores para ela. O resultado final foi legal, mas todo o processo foi doloroso. Primeiro, entrei constrangidíssimo na floricultura. Expliquei minha situação, tomei coragem e escolhi o arranjo que daria a minha amada. No entanto, a vendedora resolveu me socorrer e deu outra sugestão. Achei melhor acatá-la.

Quando penso em dar livros, lembro que ela tem uma fila de publicações para serem lidas. Roupa, então, nem cogito: como escolher para alguém uma coisa que mal consigo escolher para mim? Além disso, só de imaginá-la indo trocar a peça porque errei o tamanho, desanimo.

Uma opção fácil seria comprar um CD de uma cantora ou grupo musical do qual ela gosta. Na atual situação financeira, porém, corro o risco de ser taxado de gastador, já que as músicas poderiam ser baixadas pela Internet. O mesmo ocorre se o presente for muito caro (para os meus padrões), como uma máquina digital, por exemplo.

Nessas datas comemorativas, gostaria que todos pensassem da mesma maneira que eu: as coisas materiais não têm importância, o sentimento e a presença da pessoa ao seu lado são o que vale a pena. Se o presente vier, tudo bem, será apenas uma das muitas formas que a pessoa tem de demonstrar o quanto sou especial para ela.

Já que não estamos no mundo perfeito, o jeito é correr atrás de algo nessas poucas horas que me faltam. O que será que eu compro?


16 anos de vida cristã

julho 22, 2008

Tem uma data da qual tenho muito orgulho/9 horas, quarta, 22 de julho”. Essa frase faz parte do primeiro rap que compus, “O Nome Dele é Jesus”, e remete ao dia em que me converti a Jesus Cristo, em 1992.

No começo da década de 1990, eu cheguei a freqüentar uma igreja presbiteriana em Pinheiros, mas logo depois saí. Meses depois, porém, fui convidado a ir à Igreja Metodista Livre, no mesmo bairro, e desde então nunca mais saí de lá.

Apesar de já conhecer as histórias da Bíblia, foi apenas em julho de 1992 que eu entendi o que era entregar a vida a Jesus Cristo. O tema da Escola Bíblica de Férias daquele ano foi “O Reino de Deus” e um dos textos que estudei foi João 3:1-5, em que Jesus explica a Nicodemos que era necessário “nascer de novo” para ver o Reino de Deus.

Eu fiz essa opção e me batizei no mesmo ano. De lá para cá, pude entender que a conversão realmente é um processo, e não uma transformação instantânea. Você tem a oportunidade de crescer na vida cristã a cada situação, seja ela positiva ou negativa.

Em 1993, em plena adolescência, fazia questão de me posicionar como cristão, ao usar camisetas com temáticas gospel. Nos anos seguintes, passei a compor e a cantar raps que exaltavam a Jesus. Quando ainda era office-boy, em 1997, recusei a fazer um serviço para o meu chefe pois sabia que aquilo não agradava ao Senhor. Apesar de ter colocado meu emprego em risco, permaneci na empresa, ele pediu demissão e eu acabei promovido.

Deus me deu a oportunidade de falar do seu amor na Febem e em praças públicas, assim como testemunhei minha fé aos colegas de faculdade. Virei jornalista e, aos poucos, estou crescendo na profissão que escolhi, sem precisar abrir mão dos meus princípios.

É claro que estou longe de ser um cristão ideal e acredito que deveria contar mais do amor de Deus às pessoas que estão ao meu redor, mas vejo que o Senhor tem me abençoado. A maior prova disso é ver minha mãe com uma serva Dele e a transformação que está ocorrendo com meu irmão e sua esposa.

Respeito meus amigos ateus e que possuem uma crença diferente da minha, mas uso este espaço para deixar claro que o Senhor é o único e verdadeiro Deus. Mesmo que você não acredite nisto, digo que Jesus te ama e morreu em seu lugar na cruz, para te dar a vida eterna. E esta vida nova você pode usufruir desde já, em um relacionamento com Ele, e não somente no céu. E nesses 16 anos, não me arrependo da escolha que fiz.


A melhor semana do ano

junho 27, 2008

Segunda-feira pela manhã não fui trabalhar. Pela sexta vez (isto mesmo, SEXTA), iria fazer uma prova prática para tirar carteira de habilitação. Quando tinha 18 anos, cheguei a fazer quatro vezes a prova e fui reprovado em todas. Neste ano, recomecei o processo e levei bomba outra vez no exame realizado em abril. Iria novamente para o sacrifício.

A primeira parte era a baliza. Por incrível que pareça, fiquei tranqüilo e estacionei o carro perfeitamente. A próxima fase era o percurso. Não poderia ser mais fácil: dei uma volta no quarteirão sem maiores problemas e ouvi o tão sonhado “aprovado”.

A semana começou maravilhosa, mas a expectativa maior estava para esta sexta-feira. No dia 8 de junho, prestei o concurso da Petrobras e não tinha tantas expectativas. Ao corrigir o gabarito, porém, enchi-me de esperança: 65,3 pontos em 75 possíveis. No ranking da comunidade do Orkut, fiquei na liderança por uma semana, sendo ultrapassado apenas por uma pessoa. E era na sexta que sairia o resultado.

E o resultado saiu. A minha segunda colocação no ranking se confirmou no resultado oficial: segundo lugar entre mais de 10 mil inscritos! Como são 20 vagas, a expectativa de ser chamado é muito grande.

Agradeço a Deus por essas conquistas e espero aproveitá-las da melhor maneira possível. Quando tiver um carro, serei um motorista responsável. E, se for convocado para o novo emprego, farei de tudo para honrar meu lugar na terceira maior empresa das Américas.


Marcelinho no meu trabalho

abril 23, 2008

Não é todo dia que a gente recebe um ex-craque do Timão no seu ambiente de trabalho, o que aconteceu comigo no último dia 15. Como prévia do texto que farei sobre ele no “Melhor Corinthians do meu tempo”, segue abaixo a notícia do que rolou:

Marcelinho Carioca apresenta trabalho realizado em Atibaia
Ex-jogador do Corinthians cria Centro de Excelência e vislumbra projeto social

O meia Marcelinho Carioca, um dos principais jogadores da história do Corinthians, compareceu à Câmara de Atibaia na última segunda-feira, 14 de abril. Antes do início da sessão ordinária, Marcelinho e o diretor de marketing Bruno Azenha apresentaram aos vereadores e ao público presente dois projetos que o atleta pretende desenvolver em Atibaia.

“No bairro do Portão, em uma área de 190 mil m², estamos finalizando as obras do Centro de Excelência Marcelinho Carioca”, disse Azenha, que mostrou um vídeo do complexo hoteleiro, voltado ao mercado esportivo e corporativo. “Um dos objetivos do centro é ser o local de concentração para uma seleção durante a Copa de 2014”.

Em seu discurso, Marcelinho falou sobre o Imarca (Instituto Marcelinho Carioca), organização sem fins lucrativos que tem o objetivo de desenvolver uma obra social para crianças e adolescentes em Atibaia. “O centro esportivo é algo privado, mas não adianta fazer as coisas só para você. Temos que beneficiar a comunidade, o município. Por isso, criamos o Imarca, que terá sede no campo do bairro do Portão e será uma escola de formação de atletas”, declarou o jogador.

Marcelinho pediu o apoio dos vereadores para a implantação do projeto, que não visa apenas ensinar futebol às crianças. “Queremos formar cidadãos, envolvendo a família. Vamos oferecer suporte em educação, saúde, estética e lazer. A escola contará com odontologia, informática e biblioteca”, declarou.


5 anos de cicatriz

abril 1, 2008

Parece mentira, mas em 1º de abril de 2003 eu entrava em uma sala de cirurgia para retirar 32 centímetros do meu intestino. O resultado, além de acabar com as dores e outros problemas causados pela Doença de Crohn, foi uma cicatriz considerável na minha barriga. Segundo meu amigo Marcel, após a operação, fiquei com dois umbigos.

Entre pré e pós-operatório, fiquei internado no Hospital Santa Isabel 26 dias, nos quais lembro de ter assistido às finais do Paulistão, ao GP Brasil de Fórmula 1 e ao incrível “gol contra” do goleiro Júlio César, então no Flamengo, em uma partida contra o Bahia. Melhor do que os eventos esportivos acompanhados pela TV foram as visitas de diversos amigos, com destaque para a minha então namorada e agora esposa, que foi me ver no hospital todos os dias.

Nesses cinco anos, morei sozinho, trabalhei em casa, casei-me, mudei de cidade (e vou voltar para São Paulo em breve), passei em um concurso e conquistei um emprego público, estou prestes a adquirir um imóvel próprio, tenho feito aulas de auto-escola para tirar a CNH, briguei e fiz as pazes com meu irmão, coordenei três acampamentos de Carnaval, voltei a passar um susto com a doença, mas melhorei, minha mãe se tornou cristã e meu irmão e sua esposa passaram a freqüentar a mesma igreja que eu. Ou seja, aquela não era mesmo a minha hora de partir.

O que direi daqui a cinco anos? Espero que seja isso: voltei para São Paulo, mudei para um apartamento maior, tornei-me pai, passei em um novo concurso público para ganhar mais, comprei um carro, voltei a ser monitor no acampamento de Carnaval (e fiz dupla com meu irmão), meu pai e os pais da minha esposa aceitaram a Cristo em suas vidas.