A poupança Bamerindus (!) continua numa boa

novembro 6, 2008

itaunibancoA fusão do Itaú com o Unibanco, anunciada na última segunda-feira, fez-me lembrar dos meus tempos de rapper. Uma das minhas músicas, composta em 1996, chamava-se “Office boy de Cristo”, e contava um pouco do meu cotidiano:

…De firma em firma, entregando correspondência
De banco então, tenho vasta experiência
Bradesco, Banespa, Itaú,
Nossa Caixa Nosso Banco, Unibanco, América do Sul

O mercado bancário, no entanto, mudou muito de lá para cá. O Santander adquiriu o Banespa em 2000, o banco estatal de São Paulo virou só Nossa Caixa (e já vai ser vendido para o Banco do Brasil), a marca Unibanco, pelo que entendi, sumirá do mapa em breve, e o América do Sul foi vendido para o Sudameris, que depois foi adquirido pelo Itaú Real (obrigado pela correção, Fabio).

Completo 28 anos nesta quinta-feira e passei refleti como as coisas não duram para sempre. No início dos anos 1990, a poupança Bamerindus estava numa boa (o banco foi vendido ao HSBC em 1997, em transação nebulosa). A partir disso, comecei a analisar minhas letras da época de MC Empada e vi que muito do que falei se perdeu atualmente. Confiram:

Você deve estar achando esquisito
Um moleque que fala de Jesus Cristo (Rap de Adoração, 1995)
– com 15 anos, normal se apresentar como um moleque. Hoje isso não seria possível

E o dinheiro, infelizmente, é o Deus do mundo
Garotos sonham em se tornar um Edmundo (Cuidado, 2002)
– na época ele já não estava lá grandes coisas. Hoje, então, qual menino gostaria de se tornar um Edmundo, atacante do Vasco que joga uma vez sim, quatro não?

Pois a mídia toda está contra o nosso lado
Ela mostra que ser cristão é uma bobagem
Enquanto isto passa a novela “A Viagem” (MC Empada, 1995)
– a novela “A Viagem” já passou até no Vale a Pena Ver de Novo. E, com a compra da Record pela Universal, é muito simplista dizer que a mídia toda está contra os cristãos evangélicos

Em dizer que eu só falo bobagem
Só porque eu tenho catorze anos na bagagem (MC Empada, 1995)
– hoje só tenho o dobro desta idade

Finalmente, MC Empada
Tem sua banda formada
Cel no teclado, Brack na bateria (Ministério, 1997)
– a banda não existe mais. Há pelo menos cinco anos que não nos apresentamos juntos

Estava eu, MC Empada
Na época das Olimpíadas (Nada Vai, 1996)
– a música até parece atual. Parece, pois estava me referindo às Olimpíadas de Atlanta.

E isso era ainda mais frustrante
Para uma carreira não muito triunfante
Nos esportes em geral
É, nunca fui “o animal” (Nada Vai, 1996)
– quem usa a expressão “animal” hoje em dia?

E aconteceu uma coisa animadora
Enviei uma fita minha pra uma gravadora (Nada Vai, 1996)
– qual músico envia “fita” para uma gravadora atualmente?

Podem parecer coisas inocentes
Da cabeça de um adolescente (Nada Vai, 1996)
– com 28 anos, não posso mais me considerar um adolescente, né?

Nas ruas de São Paulo, no bairro de Pinheiros
Trabalho como boy, não ganho muito dinheiro (Office boy de Cristo, 1996)
– continuo não ganhando muito. Mas creio que os motoboys praticamente extinguiram com os office boys

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50 anos de Bossa Nova e 20 anos de Rap no Brasil

abril 14, 2008

Shows comemorativos, diversas reportagens na imprensa, entrevistas com os músicos pioneiros, relançamento de discos raros. Enfim, 2008 promete muitas dessas coisas em relação à comemoração dos 50 anos de criação da Bossa Nova, tendo como marco zero o dia 10 de julho de 1958, com a gravação de “Chega de Saudade”, interpretada por João Gilberto. Sobre os 20 anos do primeiro registro fonográfico de Rap nacional, a coletânea “Hip Hop Cultura de Rua”, no entanto, pouco ouviremos falar.

Em 1988, sob a produção de Nasi e André Young, músicos do grupo de rock Ira!, a coletânea foi lançada com raps de Thaíde & DJ Hum, MC Jack, O Credo e Código 13. Letras com críticas à polícia, como “Homens da Lei”, e que retratam a realidade dos jovens marginalizados logo caíram no gosto dos moradores da periferia.

Enquanto a Bossa Nova era a música “feita pela e para a classe média”, como definiu Carlos Lyra em recente entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o Rap pode ser considerado o estilo feito pelo e para o povo da periferia. Em vez de usarem o violão, dentro de um amplo apartamento, para cantar sobre amor, sorriso e flor, os jovens pobres samplearam as batidas cruas nos seus barracos e casas humildes para denunciar a falta de oportunidade, a violência e outras mazelas que acompanham os menos abastados.

Na década de 1950, a juventude carioca da Zona Sul não se identificava com os sucessos da época propagados pela Rádio Nacional e estava à procura de uma música moderna. Quando a fantástica batida de violão de João Gilberto e o jeito baixinho e comportado de cantar surgiram, eles se apegaram a isso e fizeram uma revolução na música popular brasileira.

Em São Paulo, 30 anos depois, o rock era a música da moda dos mauricinhos. Os jovens da periferia, porém, renegaram esses rebeldes sem causa e, por meio do hip hop vindo dos Estados Unidos, mostraram sua fúria. Finalmente a população pobre tinha sua voz e o impacto atingiu todo o Brasil.

Tanto a Bossa Nova quanto o Rap foram revolucionários para a história da música no país. No entanto, por mais que esteticamente a Bossa Nova seja “superior”, além de uma criação nacional (apesar da influência jazzística), o Rio de Janeiro do barquinho, da garota de Ipanema e do samba de avião ficaram para trás. E a poesia de MV Bill, muito mais representativa hoje do que aquela escrita por Vinícius de Moraes há meio século, ainda não tem o espaço que merece. Será que em 2028 2038 comemoraremos os 50 anos do Rap no Brasil?


Aplausos para a clarineta

março 4, 2008

A data de 3 de março me remete ao ano de 1996. Naquele domingo, há 12 anos, fui convidado pela banda Escravos de Cristo a cantar em uma igreja coreana, que ficava no bairro da Liberdade. Lá fui eu, com 15 anos, empolgado por ter a chance de mostrar meus dotes musicais pela primeira vez fora de um evento da Igreja Metodista Livre.

Como bom rapper, preparei o meu visual, que se consistia de uma bermuda preta e um agasalho com capuz, ambos bem surrados. Quando chego na igreja, percebo que meu modelito não fora bem escolhido: os membros estavam em sua maioria com roupa social.

Naquele culto, houve uma espécie de “show de talentos”, com várias apresentações de pessoas que não eram membros da igreja coreana. Veio a primeira apresentação, ninguém bateu palma; eu cantei “MC Empada”, nada de aplausos; os Escravos tocaram algumas músicas, a platéia não se manifestou.

Estranhei aquela cena, mas pensei “deve ser a cultura deles”. O pastor pregou, o culto ia para o seu final, até que chegou o momento da oferta. Enquanto o gazofilácio (a popular “sacolinha”) passava entre as pessoas, um senhor da igreja tocou uma música com sua clarineta. Ao fim da apresentação, para o meu espanto, houve um aplauso monumental!

Achei um absurdo aquela manifestação, parecia até que havia um certo preconceito pelos “de fora”. Tecnicamente, o homem da clarineta não fez nada de excepcional que justificasse as palmas, em comparação com o silêncio do público nas outras apresentações. O jeito foi engolir a revolta e levar a situação na esportiva.

Ps. Amanhã posto uma foto desta apresentação

Está aí a foto prometida. Aliás, o post saiu com a data do dia 4, provavelmente por causa do fuso horário:

 mc-empada.jpg


Rappin’ Hood em Atibaia: público decepciona

janeiro 29, 2008

Escrevi aqui há algum tempo que fujo de shows gratuitos, mas resolvi arriscar no último sábado (26/01), ao saber que Rappin’ Hood estaria em Atibaia. A apresentação estava marcada para as 20 horas, no campo do Jd. Imperial, bem longe do Centro, onde moro. Mesmo temendo que o lugar estivesse lotado, programei-me para chegar em cima da hora.

Ao descer do ônibus, percebi que o meu temor não fazia sentido. Cheguei lá 20 minutos antes do horário marcado e nem 50 pessoas acompanhavam a apresentação do grupo local Poetas Periféricos. Logo pensei: o show do Rappin’ Hood vai demorar muito para começar, pois ele vai esperar o público aumentar para entrar no palco. Mais uma vez eu me enganei: às 20 horas em ponto, o “negrinho magrelo, com uma mancha no olho” começou a cantar “É tudo no meu nome”.

Naquela situação constrangedora, Rappin’ Hood não deixou a peteca cair. O rapper fez seu show direitinho, ao lado do DJ Primo (que tocava com Marcelo D2 na época do “À Procura da Batida Perfeita”) e do percussionista Beto Repinique, apesar de parecer com pressa, pois a todo momento ele lembrava que, às 23 horas, apresentaria o programa Rap du Bom, na 105 FM.

No total, ele cantou nove músicas, em aproximadamente 50 minutos. Quatro raps eram de seu primeiro CD, “Sujeito Homem” (“É tudo…”, “Rap du bom”, “Sou Negrão” e “Suburbano”), quatro de “Sujeito Homem 2” (“Ex-157”, “Us playboy”, “Rap o som da paz” e “Us guerreiro”) e uma música em homenagem a Sabotage, que eu não conhecia.

Mesmo com um público decepcionante, pude constatar mais uma vez que Rappin’ Hood é um dos principais rappers do Brasil, ao fazer misturas interessantes com samba, escolher samples de qualidade, rimar com precisão e compor letras acima da média. Se Racionais são os primeiros, ele vem logo atrás, ao lado de MV Bill, Xis, Thaíde & DJ Hum (juntos ou separados), GOG e o finado Sabotage.

Vale lembrar que esse é o quarto show que assisto de Rappin’ Hood. O primeiro (que eu considero o melhor dele que já vi) foi no Blen Blen, no lançamento de “Sujeito Homem”. Com MV Bill e Pregador Luo (Apocalipse 16) na platéia, o rapper contou com a participação das pessoas que o ajudaram a fazer o CD, como Leci Brandão e KL Jay.

O segundo foi em 2003, na quadra da Gaviões da Fiel. Minha análise dessa apresentação fica prejudicada porque, na seqüência, foram os Racionais que entraram no palco, no melhor show da minha vida. Já o terceiro foi no Chimera Hip Hop, quando estava mais interessado em assistir a Marcelo D2 e O Rappa.


Biografia musical

janeiro 21, 2008

Nas últimas semanas, a leitura do livro “Vale Tudo”, biografia de Tim Maia escrita por Nelson Motta, e da lista dos 100 melhores discos da música brasileira, publicada pela revista Rolling Stone, fez com que eu questionasse o meu conhecimento musical. Por mais que eu goste do assunto, noto que pouco sei.

Em casa, por situação financeira ou cultural mesmo, meus pais nunca foram de consumir música. Só tive um aparelho de toca-disco em 1990, quando o LP já estava com os dias contados, e meu primeiro 13º salário, em 1996, foi investido em um toca-CD.

De lá para cá, até que obtive um número considerável de CDs, priorizando grupos de Rap e de bandas pop nacionais. Abaixo, segue uma pequena biografia musical:

– Até 1990, lembro de pouca coisa na minha vida musical. Era muito novo (infelizmente) para entrar na onda de Thriller, mas tinha a fita K7 de Bad e imitava o moonwalk de Michael Jackson (o que me rendeu seis pontos na cabeça). Meu irmão trocou um “vale-disco” pela fita K7 de “Sexo”, do Ultraje a Rigor, o que me fez gostar do grupo. Pirei com Technotronic quando estava na quarta série. E, para minha vergonha, gostei tanto de Menudos quanto de New Kids on The Block.

– Comecei a ir à igreja em 1991 e tive uma fase em que só ouvia música evangélica. Até 93, troquei a Transamérica pela Gospel FM e passei a curtir Katsbarnea, Rebanhão, Kadoshi e outros grupos que anunciavam a fé em Jesus Cristo. Das músicas “do mundo”, ouvia Guns n’ Roses, apesar de nunca ter sido fã de heavy metal. No final de 93, descobri Gabriel O Pensador e seu “Retrato de um Playboy”, o que aumentou meu interesse pelo rap, e Skank, graças à inclusão da música “O Homem que Sabia Demais” na trilha da novela global “Olho no Olho”.

– Passada a “fase exclusivamente gospel”, Racionais MC’s marcaram minha oitava série (1994), com os clássicos “Fim de Semana no Parque” e “Homem na Estrada”. Fui ao M200 Summer Concert para assistir Gabriel O Pensador e quem abriu o show foi um tal de Chico Science e Nação Zumbi. A banda tocou “Rios, Pontes e Overdrives” e eu achei a coisa mais esquisita do mundo. Entre meus amigos da escola, o que rolava era o pagode de Raça Negra, Só Pra Contrariar e outros grupos. Neste ano, compus meu primeiro rap, “O Nome Dele é Jesus”.

– Em 1995, demorei para engolir o fenômeno “Mamonas Assassinas”. Em um show promovido pela rádio 89FM, cheguei a assistir à banda ao vivo, assim como Barão Vermelho, Raimundos, Skank e Titãs, que fazia sucesso com “Domingo”. Porém, o que me marcou neste ano foram as minhas primeiras apresentações e a composição de três dos meus maiores “hits”: “MC Empada”, “Rap de Adoração” e “Monarca”.

– No Show da Virada da Globo que comemorava a chegada de 1996 eu vi pela primeira vez o Gera Samba, que depois viraria “É o Tchan”. Garota Nacional, do Skank, bombou nas rádios, e minha “carreira musical” seguia firme: comecei a me apresentar junto com a banda Escravos de Cristo e compus mais três músicas: “Office-boy de Cristo”, “Evangelho” e “Nada Vai”. O “álbum” que eu mais ouvi no ano foi a “fita verde” dos Escravos de Cristo, que em 90 minutos contém 23 músicas.

– Com o toca-CD comprado no final do ano anterior, foi em 97 que comecei a consumir música de verdade. O rap internacional era obrigatório com NWA, 2Pac e Snoop Dogg, comprei CDs de bandas nacionais (Chico Science e Nação Zumbi e Planet Hemp) e, em novembro, adquiri o histórico “Sobrevivendo no Inferno”, dos Racionais MC’s (do grupo, já tinha gravado uma coletânea que reunia os discos anteriores). Em março, formei a MC Empada e Banda, junto com o tecladista Cel e o baterista Brack, além de ter composto durante o ano a música “Ministério”.

– Entrei na faculdade em 98, mas no primeiro ano do curso de jornalismo pouco acrescentei ao meu “repertório musical”. Era ano de Copa do Mundo e um dos comerciais da Nike com a seleção brasileira tinha como trilha a música “Mas que Nada” (na versão do Tamba Trio), o que me fez gostar ainda mais de Jorge Ben. Como rapper, compus mais uma música, “Senhor da História”.

– Não compus nenhuma música em 1999, mas fiz neste ano minha única apresentação “interestadual”: fui cantar em Volta Redonda, após um convite que recebi por e-mail. Em relação às influências, “conheci” a Bossa Nova após ler o “Chega de Saudade: a História e as Histórias da Bossa Nova”, de Ruy Castro, e comprar um CD da Nara Leão com vários clássicos do ritmo. Continuava consumindo pop nacional e ouvia “Zóio de Lula”, de Charlie Brown Júnior, fazer sucesso.

– O ano 2000 foi de muitos ensaios e apresentações, além da composição de “Daniel”. Os Escravos de Cristo lançaram seu primeiro CD, “Capítulo I”, e também comprei alguns CDs de rap nacional, como Xis e Thaíde e DJ Hum.

– As minhas apresentações rarearam em 2001, mas meu gosto por rap não. Foi nessa época que ouvi o então novo disco do Dr. Dre (lançado em 1999, mas batizado coincidentemente de “2001”), que tinha como carro-chefe a sensacional “The Next Episode”. De rap nacional, adquiri o primeiro CD solo do DJ KL Jay, dos Racionais, “KL Jay na Batida Vol. 3 – Equilíbrio, a Busca”.

– Em 2002, voltei a me apresentar, principalmente nos Pontos de Encontro, lá em Diadema, e compus a música “Cuidado”. Nesse mesmo ano, comprei os lançamentos de Racionais (“Nada Como um Dia Após o Outro Dia”), Xis (Fortificando a Desobediência) e achei em um camelô o original (mas usado) de “HIStory”, coletânea do Michael Jackson.

– Com o fim da MC Empada e Banda, o jeito era me divertir com as músicas dos outros em 2003. No ano, o destaque fica com a batida perfeita de Marcelo D2, mas Sabotage (que morrera em janeiro) também tocou bastante em minha casa, primeiro pela trilha sonora do filme “O Invasor”, depois pelo álbum “Rap é Compromisso”.

– O Rappa e o seu “O Silêncio que Precede o Esporro” foi o que me empolgou em 2004. Assisti ao ótimo show da banda no esvaziado Chimera Hip Hop, assim como vi Rappin Hood cantar o seu “Us Playboy” (“os playboys têm carro, têm poder e têm dinheiro, mas não têm sossego, não têm sossego…”).

– O hit de 2005 foi “Senhorita”, interpretada pelos rappers Cabal e Lino Crizz. No final do ano, ganhei de aniversário o CD “Essential”, coletânea do Michael Jackson, e mais uma vez “redescobri” o cantor, principalmente pelas músicas da fase Jackson 5.

– Com um computador decente e banda larga, finalmente entrei para o mundo dos P2P. Das músicas baixadas, destaque para Tim Maia e sua fase racional. Das novidades, quem me encantou em 2006 foi Paula Lima e seu CD “Sinceramente”.

– Nem tanto pelo DVD “1000 Trutas, 1000 Tretas”, mas sim por causa deste blog, meu MP3 player sempre contou com músicas dos Racionais em 2007 (aliás, ainda estou devendo a análise de “Nada como um dia…”). De resto, não me liguei tanto a coisas novas.

E em 2008, o que posso esperar em relação à música?


Mano Brown, apenas mais um rapaz comum

setembro 27, 2007

Quando soube que Mano Brown seria o entrevistado do Roda Viva, fiquei feliz por não precisar trabalhar na noite daquela segunda-feira, como ocorre quinzenalmente. Às 22h40, estava no sofá, em frente à TV, para assistir ao que o principal nome do grupo Racionais MC’s teria a dizer.

O resultado, para quem esperava um Brown “idealizado”, foi decepcionante. Ele não assumiu a condição de “exemplo para a periferia” e nem a responsabilidade que tem ao ser ouvido por milhares de jovens. Preferiu se definir apenas como alguém que faz música para sobreviver (“se eu não cantar, eu não como” e “isso é só uma rima”).

Ficou claro o motivo pelo qual Mano Brown dá poucas entrevistas: ele não sabe ser um “bom” entrevistado. Com exceção de algumas declarações contundentes (“sou um pai ausente”, “traficante, não, comerciante”, “o Lula não vai entregar os parceiros dele”), as respostas foram superficiais e evasivas. O fato de ele reconhecer que não lê muito e ter concluído os estudos até a oitava série (“porque não gostou da escola”) contribuem para isso.

Os entrevistadores estavam receosos de entrar em confronto com Brown. Já que não queriam guerra, por que não pegar o gancho dado pelo rapper (“as coisas que eu me interesso, eu me informo”)? Por que não insistir em perguntas sobre o trabalho dos Racionais, o cenário do rap, o novo DVD “1000 Trutas, 1000 Tretas”, aprofundar as questões das influências musicais (Jorge Ben, Tim Maia e Cassiano)?

Sobre música, aliás, a impressão que Brown passou é a de alguém mais preocupado em promover o rap como um estilo musical do que como um meio de passar idéias transformadoras. Tiro essa conclusão quando ele diz que o rap norte-americano é mais evoluído e que não dá para cobrar um discurso social dos rappers brasileiros.

Ao ser questionado sobre quais os trabalhos que os Racionais fazem na comunidade, além da música, Mano Brown saiu pela tangente e, depois, citou sua função de produtor dos grupos U.Time e Rosana Bronx. Em vez de criar ONGs com o dinheiro merecido que ganhou com os Racionais, ele e seus colegas montaram o selo Cosa Nostra. Ou seja: o negócio deles é música, não implantar uma nova ideologia.

Mano Brown mostrou ser um rapaz comum. Alguém que discute por causa do Santos, compra uma casa para a mãe quando melhora de vida, é casado há bastante tempo com a mesma mulher e que tem um filho que freqüenta uma unidade do CEU. Quem espera um libertador da periferia, vai ter que arrumar outro.


Especial Racionais MC’s – Sobrevivendo no Inferno: “A criminalidade como ela é”

setembro 21, 2007

Capa do DiscoEm 6 de novembro de 1997, dia em que completei 17 anos, um colega de trabalho me avisou que estavam vendendo o novo CD dos Racionais MC’s em uma loja perto dali e perguntou se eu também queria. Entreguei os R$ 20 para ele comprar o meu próprio presente de aniversário.

Depois de encerrar o expediente, peguei meu discman, coloquei o CD recém-adquirido nele e fui em direção ao ponto de ônibus. Naquele dia, faria minha inscrição para o vestibular de Jornalismo antes de ir ao colégio e no caminho poderia ouvir o que os Racionais tinham para dizer em suas músicas.

A tranqüilidade de “Jorge de Capadócia” se transformou na batida forte de “Capítulo 4, Versículo 3”, que me cativou logo de cara. As faixas iam passando e tinha a certeza que estava escutando algo único. Na volta para casa, após a aula, ainda conferi “Fórmula Mágica da Paz”, única música do disco que conhecia até então (ainda assim, de ouvir falar).

Meses depois, o fenômeno “Sobrevivendo no Inferno” estava em toda a mídia, surpreendida com o sucesso de vendas de um CD que não tinha ampla divulgação. Por mais que a imprensa não soubesse como aquilo podia acontecer, a resposta era muito fácil: o disco era muito bom.

As letras de Mano Brown e Edi Rock estavam mais poéticas e contundentes do que antes. Os temas das músicas são os mesmos dos discos anteriores: criminalidade, drogas, violência e preconceito racial (“o primo do cunhado do meu genro é mestiço…”), mas o modo como eles falam chega a impressionar pela criatividade. Ao citar um viciado em crack, não basta dizer que ele “está se afundando na pedra”, mas sim que ele está “tragando a morte, soprando a vida pro alto”. Sobre o poder de liderança do Guina (o personagem fictício, não o picareta que dá testemunho mentiroso nas igrejas), uma descrição sensacional: “com condição de ocupar um cargo bom e tal, talvez em uma multinacional/pensando bem, que desperdício, aqui na área acontece muito disso, inteligência e personalidade, mofando atrás da p.. de uma grade”.

Por mais poéticas que sejam, as letras não amenizam a realidade cruel. São descritas com crueza situações como meninas que se sujeitam a praticar sexo oral para sustentar seu vício em cocaína, o ladrão que engatilha o revólver na boca de sua vítima, assassinatos a sangue-frio e crianças com ataques causados pela abstinência de crack.

Junto a essas letras ora poéticas, ora cruéis, as batidas e samples conseguem dar o tom do que os cantores querem passar. Quem ouve “Capítulo 4, Versículo 3” fica em estado de atenção, como se pudesse ser atacado a qualquer momento por um ladrão. Já o ritmo funk de “Qual mentira vou acreditar” remete à festa onde Edi Rock e Ice Blue encontram a mulher com o vestido “estrategicamente a um palmo do joelho”. Entre os sons que compõem “Tô ouvindo alguém me chamar”, nota-se o barulho de um aparelho que registra as batidas do coração do personagem quase morto da música.

Mesmo em meio a tantos tiros e drogas, os integrantes dos Racionais sobreviveram a esse inferno e “contrariaram a estatística”, o que não ocorreu com os filhos de muitas “Marias”. A mensagem do grupo, por mais que a criminalidade esteja aí, é essa: “malandragem de verdade é viver”.

Jorge Ben novinho1 – Jorge de Capadócia: A letra de Jorge Ben, colocada na base da música “Ike’s Rap II” de Isaac Hayes (que também foi utilizada pelo Portishead), serve para “abrir os caminhos” do disco. Com tanta bala que virá pela frente nas próximas faixas, é bom fazer a seguinte oração: “armas de fogo meu corpo não alcançarão”.

Ao incluir esta faixa, os Racionais homenageiam um de seus ídolos e mostram um pouco do novo lado religioso do grupo, como atesta a capa do disco.

2 – Genesis (Intro): No pequeno trecho dessa espécie de vinheta, Mano Brown resume que Deus dá as coisas boas, e o homem as transforma em más. Para sobreviver nesse inferno, o jeito é se virar, seja “com uma Bíblia véia” ou “uma pistola automática”.

3 – Capítulo 4, Versículo 3: O título da música seria uma alusão ao fato de esta ser a terceira faixa do quarto disco do grupo. Deixando a hipótese de lado, o que interessa é o seu conteúdo.

A música já começa com uma série de estatísticas que mostram como os negros da periferia de São Paulo sofrem com a violência policial. A revolta que essa situação gera em Mano Brown faz com que ele use sua arma (“minha palavra vale um tiro/eu tenho muita munição”) para “abalar o seu sistema nervoso e sangüíneo”.

Mesmo reconhecendo suas “intenções ruins”, Brown consegue agradecer ao Senhor por “não desandar e nem sentar o dedo em nenhum pilantra”. Para chegar aos 27 anos (agora 37) e contrariar a estatística, ele não caiu na conversa da propaganda de que precisava ter status e fama e muito menos se rendeu ao vício das drogas. Isso, fatalmente, o levaria para a vida do crime, seja para sustentar um estilo de vida ou uma dependência química (“tem mano que te aponta uma pistola e fala sério/explode a tua cara por um toca fita velho…. vai de bar em bar/esquina em esquina/trocar 50 conto/trocar por cocaína”).

Apesar de confessar que “ser um preto tipo A custa caro”, ele deixa claro sua opção em não ser um criminoso. “Se eu fosse aquele moleque de toca/que engatilha e enfia o cano dentro da sua boca/de quebrada, sem roupa/você e sua mina/um, dois, nem me viu/já sumi na neblina/mas não, eu permaneço vivo…”

Os Racionais, “efeito colateral que seu sistema fez”, marcaram o Vídeo Music Brasil da MTV, em 1998, com uma apresentação histórica deste rap. Na parte musical, destaque para o sample de Slippin’ Into Darkness, do grupo War.

4 – Tô ouvindo alguém me chamar: Após ser alvo de diversos tiros, um criminoso começa a fazer uma reflexão de como foi sua vida. Essa é a tônica da mais extensa música do disco, com impressionantes 11min15 de duração.

Por mais que seja uma das músicas que mais fala de assaltos, assassinatos e outros delitos, a sua mensagem deixa muito claro que o crime não compensa. Percebendo a pouca chance de sobreviver, o personagem do rap se arrepende do que fez e promete: “se eu sair daqui eu vou mudar”.

O arrependimento é óbvio pela referência que ele faz do seu irmão, alguém que teve as mesmas condições difíceis de criação e, mesmo assim, conseguiu concretizar seu “sonho de doutor”, ao estar perto de se formar, “acho que em direito, advocacia”.

Em vez de se espelhar no esforço do irmão, o narrador da música optou pela vida de “revólver, droga, carro” e teve como professor o ladrão Guina, “sangue ruim que não dava boi para ninguém”. Curiosamente, o mestre no crime foi o responsável por sua morte. Na cadeia, Guina achou que fora cagüetado pelo seu então parceiro e ordenou a execução.

O sample utilizado é da música “Charisma”, de Tom Browne. A letra do rap é de Mano Brown.

5 – Rapaz Comum: Assim como na faixa anterior, este rap também tem um narrador que acabou de levar tiros. Mas se em “Tô ouvindo alguém me chamar” a música se encerra com a morte do criminoso, aqui a história se desenrola até o momento em que o defunto é enterrado.

Na música não fica claro qual o motivo da morte do protagonista. Mas e daí? “Morte aqui é natural é comum de se ver/c…, não quero ter que achar normal/ver um mano meu coberto com jornal”.

Infelizmente, Edi Rock explica que, entre os jovens de periferia, “morre um, dois, três, quatro, morre mais um em breve”. O rapaz comum da música “não é o último, nem muito menos o primeiro” a ser alvo da violência.

Em vez de uma base funk, os Racionais utilizam nesta faixa um sample de “Black Steel in The Hour of Chaos”, do grupo Public Enemy. No refrão, há trechos de “Mano na porta do bar” (“a lei da selva é assim, predatória/preserve a sua glória”).

6 – ….: Apesar de ser apenas uma vinheta do disco, ela não passa despercebida. Depois de uma parte instrumental com uma batida bem comum ao rap, ela termina de uma forma que remete à violência: uma seqüência de tiros.carandiru.jpg

7 – Diário de um Detento: Música que ganhou um bom destaque no disco, principalmente após conquistar os prêmios de Melhor Videoclipe de Rap e Escolha da Audiência do Video Music Brasil 1998, conta a trajetória de um presidiário da Casa de Detenção do Carandiru nos três primeiros dias de outubro de 1992, quando ocorreu o massacre de 111 detentos no Pavilhão 9 do presídio.

A letra, uma parceria de Mano Brown com o agora ex-detento Jocenir, autor do livro homônimo lançado em 2001, retrata as angústias daqueles que estão “do outro lado do muro”. Fugir? Será que o juiz aceitou a apelação? E meu irmão em liberdade, está usando drogas?

Se Jocenir é responsável por mostrar a Brown o que se passa na cabeça de um detento, o rapper dos Racionais não precisa de parceria para narrar sua versão do massacre do Carandiru. Por mais que tenha ficado quatro anos preso, o escritor e co-autor da música não estava no presídio da Zona Norte de São Paulo em 1992, o que reforça a idéia de que a parte da composição que ataca “Fleury e sua gangue” seja de Brown.

Antes de chegar ao clímax, ainda dá tempo de avisar a quem está no crime sobre o que a prisão reserva: “aí moleque, me diz: então, cê quer o quê?/a vaga tá lá esperando você/pega todos seus artigos importados/seu currículo no crime e limpa o rabo/a vida bandida é sem futuro/sua cara fica branca desse lado do muro/já ouviu falar de Lucífer?/que veio do Inferno com moral, um dia/no Carandiru, não… ele é só mais um/comendo rango azedo com pneumonia”.

Sobre a rebelião que culminou no massacre, a descrição é simples e precisa: “uma maioria se deixou envolver/por uns cinco ou seis que não têm nada a perder/dois ladrões considerados passaram a discutir/mas não imaginavam o que estaria por vir”. Com a deixa dos próprios presos e o sim dito pelo telefone, “avise o IML, chegou o grande dia”.

O resultado disso são “cadáveres no poço, no pátio interno” e “sangue jorra como água”, pois o “ser humano é descartável no Brasil/como modess usado ou bombril”. Mesmo com a gravidade da situação, nada deve mudar. “Mas quem vai acreditar no meu depoimento?/dia 3 de outubro, diário de um detento”, encerra Brown.

A percussão que caracteriza a música foi sampleada de “Easin’ In”, de Edwin Starr.

8 – Periferia é periferia (em qualquer lugar): O nome da música é uma frase utilizada pelo rapper GOG em “Brasília Periferia”, faixa do disco “Dia a Dia da Periferia”, de 1994. Não importa se você está na Ceilândia, no Capão Redondo ou em qualquer outra periferia de uma grande metrópole: nesses lugares esquecidos da cidade, a droga está acessível, trabalhadores se matam para ganhar pouco e a criminalidade rola solta.

De todos os problemas atuais da periferia, o que parece ser mais preocupante é o da droga, na visão de Edi Rock. Primeiro, as crianças crescem vendo as pessoas se drogando e muitas delas seguem pelo mesmo caminho. Ao não conseguir sustentar o vício, praticam crimes, mesmo que seja contra um trabalhador comum (“escravo urbano”), e permanecem vivos por pouco tempo, pois também viram vítimas da violência que geram.

Tudo bem que muitos moradores da periferia têm sua culpa na história, mas “quem vende a droga pra quem?”. Edi Rock observa sabiamente que a droga “vem pra cá de avião ou pelo porto ou cais/não conheço pobre dono de aeroporto e mais”, ou seja, os responsáveis por essa situação são os poderosos.

A homenagem ao rapper GOG não se restringe ao título da música, já que outros trechos de “Brasília Periferia” são utilizados durante o rap (“aqui a visão já não é tão bela”, “muita pobreza, estoura violência”, “vários botecos abertos, várias escolas vazias”, “mães chorando, irmãos se matando”). A base é sampleada de “Cannot Find a Way”, de Curtis Mayfield.

9 – Qual mentira vou acreditar: Depois de tantos temas pesados tratados nas faixas anteriores, esta música serve como um oásis. O som funk, sampleado de “Hip Dip Skippedabeat”, do grupo “Mtume”, retrata a saída dos amigos Edi Rock e Ice Blue em uma balada qualquer.

O momento de lazer para alguém da periferia, porém, não é nada fácil. Primeiro, é obrigado a tomar uma geral da polícia (e ver sua camisa do Santos sair suja após a batida). Depois, xaveca uma mina espetacular e descobre que tudo o que ela dizia não era verdade. Sem falar nos falsos amigos, que contam vantagem de tudo, apesar de não serem nada daquilo do que garganteiam.

Em meio a tantas mentiras, o jeito é “saber curtir, saber lidar/se a noite é assim mesmo, então, deixa rolar”. Vale lembrar que é nesta música que há a citação de uma “mulher vulgar”, assim como ocorre em todos os outros discos. Segue alguns versos: “conheço essa perversa há maior cara/correu a banca toda de uns ‘pleiba’ que colam lá na área/pra mim ela disse que era solitária/que a família era rígida e autoritária/tem vergonha de tudo, cheia de complexo/que ainda era cedo pra pensar em sexo”.

djavan.jpgComo curiosidade, as músicas ouvidas no rádio do carro do Edi Rock no início são “Chegou a Hora”, do Boi Garantido, e “Pode vir quente que eu estou fervendo”, na versão do Barão Vermelho. Não podemos nos esquecer do “só eu sei” da música “Esquinas”, de Djavan, quando Blue sonhava em um grand finale até as seis da manhã.

10 – Mágico de Oz: “moleque novo que não passa dos doze, já viu, viveu mais que muito homem de hoje”. Se a música só tivesse apenas essa frase, já valeria sua inclusão no disco.

Mas essa composição de Edi Rock tem muito mais. Conta o que acontece com os “meninos em situação de rua”, como dizem os estudiosos. Eles aprendem cedo a malandragem da rua, têm a droga como opção “para aquecer ou para esquecer” e vêem a polícia como inimiga. Apesar de todos os problemas, “sair da rua é a meta final/viver decente, sem ter na mente o mal”.

Difícil imaginar crianças como essas sem a maldade na mente, tendo como exemplos policiais corruptos e traficantes com o bolso cheio. “Dizem que quem quer segue o caminho certo, ele se espelha em quem tá mais perto”, define Edi Rock.

Diante de uma situação tão triste como essa que vemos nos faróis e nas esquinas todos os dias, o autor do rap confessa que questionou a existência de Deus, mas depois recuou. Só mesmo tendo fé para acreditar que uma dessas crianças terá uma condição digna algum dia.

Para complementar a letra, a base da música é um sampler de “It’s too late”, do grupo The Isley Brothers.

11 – Fórmula Mágica da Paz: Não é à toa que esta é a última música do CD. Nela, Mano Brown faz uma reflexão de sua trajetória, desde a época de moleque, com “cabelo black e tênis All Star”, até chegar aos 27, como mais um sobrevivente.

Em sua análise, apesar de reconhecer que cresceu admirando os ladrões e malandros mais velhos, viu que “malandragem de verdade é viver”, pois “muito velório rolou de lá pra cá”. Aliás, ele admite ser um vencedor, já que a sua mãe poderia ser uma das muitas que colocam flores sobre a sepultura no Dia de Finados.

Para os manos de hoje que se interessam pela idéia de “treta, tiro, sangue”, Mano Brown dá uma sugestão: curtir a liberdade com os amigos, ouvindo um bom som, sem pedra ou pó e com respeito aos outros. Por mais que recomende o “descanso do gatilho”, ele sabe que é complicado viver sem emprego e, conseqüentemente, sem dinheiro para balada, roupa nova, carro e mulher.

Mano Brown encontrou a sua fórmula mágica da paz e, para isso, não precisou deixar a periferia, um campo minado onde os irmãos, todos pobres, vivem se matando. O fato de ele dizer “não me olhe assim, eu sou igual a você” dá a esperança para as pessoas que vivem em situação semelhante consigam o mesmo que ele.

bar-kays.jpgO sample utilizado é o da música “Attitudes”, do grupo The Bar-Kays. Confiram também a apresentação de “Fórmula Mágica da Paz” no DVD “1000 Trutas, 1000 Tretas”.

12 – Salve: Novamente os Racionais usam a base de “Ike’s Rap II”, de Isaac Hayes, para esta faixa, que cita o nome de várias quebradas por onde o grupo passou. Os presidiários, ou “os manos que estão do outro lado do muro”, também são agraciados com o salve.

No final, Mano Brown ainda dá um aviso aos “fdp que querem jogar sua cabeça para os porcos: tenta a sorte”. A confiança está no fato de ele acreditar em Jesus, segundo suas palavras, “um homem de pele escura, de cabelo crespo, que andava entre mendigos e leprosos pregando a igualdade”.

Ps. Mais uma vez agradeço ao pessoal da comunidade do Orkut “Originais do Rap”, que tem me mostrado quais as bases utilizadas pelos Racionais. Sem vocês, este post não teria tantas informações relevantes.