Semana 22 – Cantares 4:3

maio 31, 2018

“Seus lábios são como um fio vermelho; sua boca é belíssima. Suas faces, por trás do véu, são como as metades de uma romã” – Ct 4:3 (NVI)

“Sexo sem limite, Sodoma e Gomorra” – Mano Brown, “Capítulo 4, versículo 3”

Como devo lidar com a minha vida sexual? Será que a Bíblia traz essa resposta? Se um dia você ou algum conhecido tiver essa dúvida, pense no seguinte: um dos 66 livros do cânon sagrado trata em seus oito capítulos do amor erótico entre Salomão (o esposo) e a sulamita (a esposa), sem citar diretamente nenhuma vez o nome de Deus. Estou falando de Cantares, ou o Cântico dos Cânticos.

Os elogios às características da esposa que constam no versículo 4:3 ocorrem por todo o livro. Ambos querem conquistar um ao outro com palavras de carinho, demonstrando claramente o desejo de beijar e tocar o corpo do cônjuge. Há referências sexuais claras, mas sem apelação e grosseria. É bonito notar o prazer que eles têm nesse relacionamento.

A cumplicidade entre o casal, advinda da exclusividade, contrasta com o que vemos na música “Capítulo 4, Versículo 3”. Para citar que o personagem da história deixou uma vida monogâmica com “sua preta” para se aventurar em um ciclo de sexo sem limite, Mano Brown recorre a outro exemplo bíblico: Sodoma e Gomorra, as cidades destruídas por Deus pelo fato de lá o “pecado ter sido agravado” (Gn 18:20), inclusive o da “prostituição” (Jd 7).

Entre o sexo sem limite de Sodoma e Gomorra e a relação exclusiva do esposo com a esposa de Cantares, eu fico com a segunda opção. Aprendo que uma vida sexual saudável não está vinculada à busca desenfreada pelo prazer, pela variedade, pela experimentação; tem a ver com a construção de uma intimidade com uma única mulher baseada em respeito e amor, permeada por elogios constantes de parte a parte, o que resultará em um crescimento do desejo.

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Semana 21 – Eclesiastes 4:3

maio 24, 2018

“Porém mais felizes do que todos são aqueles que ainda não nasceram e que ainda não viram as injustiças que há neste mundo” – Ec 4:3 (NTLH)

“Quatro minutos se passaram e ninguém viu
O monstro que nasceu em algum lugar do Brasil” – Edi Rock, “Capítulo 4, versículo 3”

Eclesiastes é considerado um dos livros da Bíblia mais difíceis de se interpretar. Como aceitar alguns trechos de extremo pessimismo? O versículo citado acima é um desses exemplos complicados, que dá um nó na cabeça do cristão médio.

No início do quarto capítulo, Salomão, o autor do livro, faz uma análise das opressões pelas quais muitas pessoas passam, sem que tenham qualquer tipo de consolo. Ao olhar para esses oprimidos, chega à conclusão que os mortos são mais felizes do que os vivos, enquanto aqueles que ainda não nasceram seriam mais felizes ainda, pois não precisaram ver as injustiças deste mundo.

Opressão, oprimido, injustiça… para quem conhece a obra dos Racionais MC’s, esses termos são bem familiares. Na música “Capítulo 4, versículo 3”, Edi Rock cita, de certa forma, aqueles que nascem para sofrer. Os “monstros” que estão à margem da sociedade não são notados no início de sua existência (“quatro minutos se passaram e ninguém viu”) e depois tentam ganhar a vida do jeito que conseguem. Isso pode ser na criminalidade, em bicos de vendedor de chocolate ou em profissões de mecânico e motoboy. Se as coisas saem um pouco melhor, eles até se tornam advogado e jogador de futebol.

Mesmo quem “vence na vida”, muitas vezes, não se sente satisfeito com o que tem. Afinal, isso é vaidade, para continuar na lógica de Eclesiastes. Quando pensamos em exemplos assim, observamos que Salomão não era tão pessimista, apenas relatou com crueza o que significa viver. A questão é onde buscamos o consolo a essa falta de satisfação geral, resposta que é dada no final do livro: lembre-se do seu Criador (Ec 12:1).

Jesus, quando esteve entre nós, avisou que enviaria o Espírito Santo, também chamado de Consolador. Por mais difícil que a vida seja, por mais injustiças que aconteçam, por mais oprimidos que somos, temos a quem recorrer: o próprio Deus, que habita em nós, manterá a chama da esperança acesa, mostrando que vale a pena viver!


Semana 20 – Provérbios 4:3

maio 17, 2018

“Quando eu era menino, filho único dos meus pais” – Pv 4:3 (NTLH)

“Um príncipe guerreiro que defende o gol” – Edi Rock, “Capítulo 4, versículo 3”

A analogia de hoje entre a Bíblia e a música “Capítulo 4, versículo 3” terá mais a ver com seus personagens do que pelas passagens propriamente ditas. Do lado bíblico, Davi e Salomão; dos nomes presumidos pelos Racionais, Pelé e Edinho.

O autor de Provérbios, Salomão, trata no capítulo 4 sobre a importância de obedecer aos pais. No versículo 3, lembra do tempo em que era menino para então continuar seu raciocínio de que o filho que segue as palavras de seu pai terá vida. E o pai de Salomão não era um qualquer, mas Davi, o principal rei da história de Israel.

Salomão seguiu os passos de seu pai em muitas coisas, das positivas às negativas. Em seu reinado, o território de Israel alcançou o seu maior tamanho, ampliando as conquistas de Davi; foi ele quem construiu o templo de Jerusalém, conforme tudo o que seu pai havia preparado. No entanto, Salomão também imitou o genitor no apreço por ter diversas mulheres, exagerando até demais. Enquanto a Bíblia cita quase uma dezena de esposas para Davi, seu filho caçula teve 700 esposas, mais 300 concubinas! Com isso, acabou se afastando da adoração ao Deus verdadeiro no fim de sua vida.

A música “Capítulo 4, versículo 3”, por sua vez, fala de uma “família real, de negro como eu sou” que diz respeito ao mundo do futebol. Nela, “o príncipe guerreiro que defende o gol” é Edinho, goleiro do Santos entre 1994 e 1998. Apesar dos bons momentos no Alvinegro da Vila Belmiro, o filho de Pelé jamais chegou perto em importância para a história do time em comparação com o Atleta do Século. Na vida fora de campo, então, a situação não é muito diferente: se Pelé continua vivendo de sua imagem construída como jogador, mesmo 40 anos depois de deixar os gramados, Edinho passou a enfrentar problemas sérios na Justiça pouco depois de pendurar as chuteiras, chegando a ser preso algumas vezes.

Salomão e Edinho tinham uma boa origem, começaram bem em suas jornadas, mas em um momento da vida acabaram manchando, de alguma forma, o legado da família. Fazendo um paralelo com a nossa caminhada cristã, precisamos ter cuidado para não iniciar uma vida de fé contagiante e, depois, envergonhar o nome do Senhor com nossos atos. Que possamos buscar forças em Deus para nos mantermos firmes rumo à eternidade. Seguindo os ensinamentos do nosso Pai celestial, tudo ficará mais fácil!


Semana 19 – Salmo 4:3

maio 10, 2018

“Saibam que o Senhor escolheu o piedoso; o Senhor ouvirá quando eu o invocar” – Sl 4:3 (NVI)

“Será assim que eu deveria estar?” – Mano Brown, “Capítulo 4, versículo 3”

Repensar a vida de tempos em tempos é natural para qualquer um. Analisar se é hora de mudar de emprego, avaliar o relacionamento que tem com o cônjuge, reafirmar suas crenças, enfim, parar um pouco para saber quais os próximos passos que serão dados.

Na música “Capítulo 4, versículo 3”, há uma frase bem característica que vale para quem está repensando a vida. Ao dizer “será assim que eu deveria estar?”, Mano Brown amplifica milhares de vozes daqueles que questionam se chegaram onde queriam ou se precisam dar um novo rumo em sua trajetória.

Para o cristão, em momentos como esse de reflexão, ele deve se agarrar em algumas certezas. Duas delas estão representadas no versículo de Salmos citado acima: o Senhor escolheu o piedoso e o Senhor ouvirá quando o invocarmos.

Ao refletir sobre o fato de Deus escolher o piedoso, lembro que tenho de seguir o caminho da piedade, do amor ao próximo, da compaixão pelo sofrimento alheio. É isso que agrada ao Senhor. Se minha vida está se distanciando disso, é um alerta de que algo está errado e precisa ser corrigido.

A outra questão, a de que Deus nos ouvirá quando recorrermos a Ele, nos dá esperança de que nada está perdido, por pior que a situação possa parecer. Sempre teremos refúgio. Mesmo que ainda não “estamos onde deveríamos estar”, podemos ir em direção ao Senhor, graças ao sacrifício feito por Jesus na cruz. A cada dia, Deus está pronto para nos acolher e nos aperfeiçoar, até que chegue o momento em que estaremos parecidos com Cristo.


Semana 18 – Jó 4:3

maio 3, 2018

“Você ensinou muita gente e deu forças a muitas pessoas desanimadas” – Jó 4:3 (NTLH)

“Minha palavra alivia sua dor” – Mano Brown, “Capítulo 4, versículo 3”

O texto que publiquei há duas semanas abordava o perigo de usarmos palavras que desanimam ou diminuem as outras pessoas. Desta vez, a ideia é falar do oposto: a importância de utilizarmos aquilo que dizemos para erguer aqueles que estão caídos ao nosso redor.

O versículo citado acima faz parte do discurso de Elifaz, que tenta lembrar a Jó sobre como ele costumava animar os outros, justamente neste momento em que Jó vivia sua própria desgraça. Se pegarmos o contexto, conseguimos entender ainda mais a lógica de Elifaz: alguém que conseguia ensinar deveria ser capaz de usar esse ensinamento para ele mesmo se reerguer.

Já o trecho escolhido da música “Capítulo 4, versículo 3” não é muito simples de se interpretar, tentando entender exatamente o que o autor do rap quis dizer. De cara, o mais óbvio é observar que o cantor está falando que a palavra dele é que alivia a dor dos seus ouvintes. Pela sequência da música (“Ilumina minha alma/louvado seja o meu Senhor”), é possível desconfiar que houve uma confusão de pronomes e, na verdade, é a Palavra de Deus que alivia a dor do compositor. Ou seja, o trecho deveria ter sido “tua palavra alivia minha dor”.

Independentemente das interpretações do texto bíblico e da música, para mim fica claro que a palavra tem o poder de nos animar e aliviar a nossa dor. Seja a palavra de Deus, de um amigo, de um pai, de um filho. Quando você está desesperado para resolver um problema, não sabe como, e alguém vem com a resposta que estava precisando, como você se sente? Aliviado, claro!

O pai que chega ao filho e diz que o ama, quando ele está em um mau momento na escola, alivia uma dor. O filho pequeno que vê seu pai angustiado por uma situação financeira e chega com seu cofrinho, dizendo que quer ajudá-lo, dá força a um desanimado.

E o que dizer da Bíblia, a Palavra de Deus? Como não se animar ao ouvir Jesus falar que dará descanso aos que estão cansados e sobrecarregados (Mt 11:28)? Ou que Deus nos amou primeiro (I Jo 4:19)? Ou que não há mais condenação para quem está em Cristo Jesus (Rm 8:1)? Que possamos guardar essas verdades no nosso coração e, da mesma forma, espalhar essas palavras de consolação!


Semana 17 – Ester 4:3

abril 26, 2018

“Em cada província onde chegou o decreto com a ordem do rei, houve grande pranto entre os judeus, com jejum, choro e lamento. Muitos se deitavam em pano de saco e em cinza.” – Et 4:3 (NVI)

“Se eu fosse aquele cara que se humilha no sinal
Por menos de um real, minha chance era pouca” – Mano Brown, “Capítulo 4, versículo 3”

O Reino de Deus, anunciado por Jesus, tem uma lógica diferente daquela vigente no mundo em que vivemos. Como o próprio Cristo diz em Lucas 18:14, “quem se humilha será exaltado”.

Na nossa sociedade, porém, o que acontece com quem se humilha? A resposta pode ser ouvida na música “Capítulo 4, versículo 3”, onde Mano Brown faz uma comparação entre um bandido e alguém que mendiga para sobreviver. Quem precisa “se humilhar por um real” nos semáforos das nossas cidades têm poucas chances de se dar bem, ao contrário daquele ladrão que aborda os motoristas com uma arma na mão.

No Antigo Testamento, uma prática comum do povo que queria demonstrar tristeza era vestir pano de saco. É o caso do versículo de Ester citado acima: quando ouviram a notícia de que havia um decreto real para exterminar os judeus, os descendentes de Israel decidiram externar o seu lamento usando esse artifício. No entanto, o uso do pano de saco também servia para se humilhar, demonstrar arrependimento. Foi assim que os ninivitas reagiram à pregação de Jonas (Jn 3:5-9), com o objetivo de buscar o favor de Deus.

Qual o caminho para entrar no Reino de Deus? A primeira coisa a ser feita é reconhecer-se como pecador, arrepender-se e buscar o perdão do Senhor. Basicamente, humilhar-se. Entender que a nossa salvação só é possível por meio do sacrifício de Jesus na cruz, não por nossos próprios méritos. É duro demonstrar fraqueza, insuficiência, até insignificância. Estamos dispostos a isso?

Ainda bem que isso é só o começo do nosso relacionamento com Deus. Depois da humilhação, temos a exaltação. Quem morre para o velho homem torna-se filho, não apenas servo. O Senhor não quer escravos para poder chicotear à vontade, mas coerdeiros com Cristo dispostos a clamar pelo “Aba”.

Para quem tem essa dificuldade em se humilhar, lembre-se do que Jesus fez antes da última ceia: lavou os pés dos discípulos (Jo 13:5). Se o nosso mestre deu o exemplo, por que não fazermos o mesmo?


Semana 16 – Neemias 4:3

abril 19, 2018

“Tobias, que era do país de Amom, estava com ele e disse: – Que tipo de muralha eles poderão construir? Até mesmo uma raposa poderia derrubá-la!” – Ne 4:3 (NTLH)

“Disse pra eu me pôr no meu lugar” – Mano Brown, “Capítulo 4, versículo 3”

Quem me conhece sabe que não sou lá uma pessoa muito otimista. Com meu “olhar crítico”, tenho a tendência de observar o detalhe que fará tudo desandar do que valorizar as diversas coisas que farão o plano dar certo. Essa característica, importante para evitar que algo dê errado, muitas vezes me leva a perder oportunidades e viver experiências que seriam extremamente positivas.

Quando essa atitude afeta somente a mim, beleza! O problema é quando começo a transferir isso às outras pessoas. Mesmo sem maldade, uma visão “realista” pode transformar um conselho amigo em um “demolidor de sonhos”.

Se mesmo sem intenção acabamos interferindo negativamente na vida dos outros, o que dizer daqueles que conscientemente fazem de tudo para nos atrapalhar? No livro de Neemias, o povo de Israel estava reconstruindo os muros de Jerusalém, mas os opositores não queriam que esse trabalho continuasse. E, claro, a primeira coisa que fazem é desacreditar o que está sendo feito. Tobias, no versículo acima, fala que a muralha, se construída, será facilmente derrubável.

A situação é muito semelhante ao trecho selecionado da música “Capítulo 4, versículo 3”. Mano Brown cita que um policial vem com o papo de que ele deve se colocar “no seu lugar”. Esse “lugar” não é de destaque, de prestígio, de valorização. Pelo contexto, dá para imaginar que o PM gostaria que o rapper lembrasse que ele era negro, da periferia e, por isso, não deveria ter direito a nada.

Quem nunca ouviu (ou falou) expressões como “se enxerga” ou “isso não é para você”? Esse discurso de querer definir os lugares dos outros, impor limites aos sonhos de alguém ou jogar balde de água fria em desejos de uma pessoa em melhorar de vida é de uma crueldade atroz, pois se torna uma arma eficaz para abalar o espírito de quem não tem uma autoestima saudável.

Trazendo a questão para a espiritualidade, o lugar que merecíamos era distante de Deus. Mas Jesus veio para morrer por nós e, com sua ressurreição, nos deu acesso ao Pai. Pela graça, agora estamos salvos! Que nenhum discurso maligno venha tirar essa verdade do nosso coração.