Amigos do Rafa

dezembro 20, 2007

Em 1994, meu irmão completou 18 anos e, para marcar sua maioridade penal, resolveu comemorar seu aniversário de uma forma diferente: por que não organizar um campeonato de futsal, com times formados apenas por amigos?

A idéia se materializou e o 1º Torneio Amigos do Rafa contou com cinco equipes: Ferreiras (com integrantes da família e alguns convidados), Alfredo (com amigos do colégio onde ele fez o Ensino Fundamental, o Alfredo Bresser), Vilinha (amigos da rua perto de casa), Costa (amigos do colégio onde ele fez o Ensino Médio, Costa Manso) e Igreja (pessoal da Igreja Metodista Livre de Pinheiros).

Neste primeiro campeonato, vencido pelo Alfredo, lembro que nosso time (Ferreiras) jogou de verde e, por uma dessas “provas de amor” ridículas a uma namorada, meu irmão acabou jogando com a camisa do Palmeiras, apesar de ser corintiano (eu, por solidariedade, fiz o mesmo). Destaque para o jornal que o Mark preparou antes do evento, com uma foto histórica do pessoal da Vilinha.

No ano seguinte, já de uniforme alvinegro, o Ferreiras foi campeão de forma heróica. A nota triste foi a contusão do Rafa, que rompeu os ligamentos do joelho em uma partida ainda na primeira fase.

Os anos foram passando, outros torneios foram criados para preencher o calendário anual (Paloma Kelly, Prévia do Amigos do Rafa), times foram acrescentados (Mark’s, Letícia, Vlad’s, Castro, etc.) e a coisa começou a sair do controle. Na edição de 1998, houve um quebra-pau após a final, quando o Alfredo humilhou um time de funcionários de uma padaria de um colega de faculdade (!).

Apesar dos sinais de que o objetivo inicial do torneio (comemorar um aniversário) tinha saído do controle, o gigantismo continuava. Para se ter uma idéia, o campeonato chegou a ter três divisões na última vez em que foi realizado, em 2002. Essa edição, aliás, é totalmente esquecível, com muitas confusões, brigas, ameaças, ou seja, nada que lembre uma festa.

Faz cinco anos que não temos um Amigos do Rafa, por esses e outros problemas. Retomá-lo nos próximos anos, principalmente no período em que era realizado (dezembro), parece inviável pelos compromissos que todos têm atualmente. Mas revelo: esse é o sonho do meu irmão.

Ele deve ficar orgulhoso de ter organizado, de forma estupenda, uma competição por NOVE anos seguidos que possuía arbitragem contratada, equipes uniformizadas, troféus, três divisões, regulamento claro, etc. No entanto, acredito que não é disso que ele tem saudade, mas sim da reunião de amigos que ele promovia, em torno de algo que ele sempre gostou: jogar bola.

Quem quiser contribuir para a realização do 10º Amigos do Rafa tem de estar atento às seguintes regras:

– todos os jogadores precisam conhecer o Rafael.
– jogue sério, mas jamais brigue.
– esqueça a “tradição”: os times serão formados aleatoriamente

E aí, alguém topa me ajudar nesta empreitada?

(Este texto é uma forma de dar os parabéns antecipadamente ao meu querido irmão Rafael, que completa 31 anos neste 22 de dezembro)

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Melhor Corinthians do meu tempo: Gamarra – Camisa 4

dezembro 7, 2007

gamarra-corinthians.jpgA ressaca do rebaixamento deveria me desanimar a escrever sobre futebol e, principalmente, Corinthians. Quando passamos por momentos difíceis, porém, sempre é bom lembrar de situações felizes para amenizar a dor.

Recordar a presença de Gamarra na zaga corintiana é algo que dá gosto. Um jogador técnico, que se antecipava às jogadas e não precisava apelar para as faltas. Nas bolas aéreas, apesar de sua altura (1,80m), conseguia bom aproveitamento, muito por causa de seu posicionamento na área.

Carlos Alberto Gamarra Pavón nasceu no Paraguai em fevereiro de 1971. Depois de jogar pelo Cerro Porteño, transferiu-se para o Internacional/RS em 1995 e, no ano seguinte, teve uma rápida passagem pelo Benfica, de Portugal. No início de 98, ele se chegava ao Corinthians junto a outras apostas, como Vampeta, para fazer parte do esquadrão idealizado por Vanderlei Luxemburgo.

gamarra-paraguai.jpgApós um primeiro semestre sem tanto destaque no Timão, o zagueiro disputou a Copa do Mundo pela seleção paraguaia e teve uma atuação espetacular. Em quatro partidas, não cometeu nenhuma falta e acabou escolhido como melhor defensor da competição.

Com o melhor zagueiro do mundo em campo, o Corinthians mostrou ter o melhor time do Brasil. Além de ajudar a defesa, o paraguaio colaborou na conquista do título nacional com três gols (todos de cabeça), um deles contra o Santos, na semifinal. Foi nessa partida, que terminou 2 a 1 para o Peixe, que eu conheci a Vila Belmiro e sua maravilhosa vista da torcida visitante.

gamarra-taca.jpgNo início de 99, Gamarra conquistou mais um título, o Paulistão. A decisão, marcada pelas embaixadinhas do Edílson, também foi o último jogo do zagueiro com a camisa corintiana. Durante a volta olímpica, eu estava entre os torcedores do Morumbi que imploravam: “fica, Gamarra”. No entanto, ele preferiu ganhar muito mais no Atlético de Madri e, com isso, perdeu a chance de ser campeão mundial no ano seguinte.


20 anos depois, Corinthians é rebaixado

dezembro 3, 2007

O pentacampeonato nacional do São Paulo neste ano fez ressurgir a polêmica se o Flamengo é ou não cinco vezes campeão brasileiro. Isso acontece porque um dos títulos da equipe carioca foi conquistado em 1987, ano em que o Brasileirão teve o nome de Copa União.

Eu sou daqueles que reconhece a conquista flamenguista, pois entendo que o Módulo Verde foi o verdadeiro Campeonato Brasileiro de 87. Assim, lembro que o Corinthians terminou aquele campeonato na 16ª (e última) colocação, o que rebaixaria a equipe na ocasião. A queda só não ocorreu porque no ano seguinte o Brasileirão contou com 24 clubes, graças a um acordo entre Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e Clube dos 13.

A Marlene Matheus deu uma declaração logo após o apito final de Grêmio 1 x 1 Corinthians de que “isso (a queda) nunca aconteceria nas mãos do Vicente”. Só não aconteceu porque, na época em que ele era presidente, virada de mesa era algo normal.

Em 2000, no mesmo ano em que foi campeão Mundial, o Timão terminou a famigerada Copa João Havelange (Módulo Azul) na 24ª colocação (a penúltima). Novamente, se o campeonato tivesse sido sério, era outro rebaixamento à vista (apesar de, pelas regras das competições anteriores, havia uma espécie de “ranking do descenso”. Como o Corinthians era o atual bicampeão brasileiro – 98/99 -, dificilmente cairia).

Esse preâmbulo serve para mostrar que a ida do Timão para a segunda divisão não é algo isolado na história do clube. Lógico que agora a dor da torcida é maior, mas em algumas situações o time fez campanhas medíocres e merecia ser castigado.

Este ano, então, o rebaixamento foi merecidíssimo. Nem vou citar as chances que a equipe teve para se salvar e não aproveitou. Prefiro me concentrar no fato de o time ser o segundo pior em número de vitórias (10) e gols marcados (40), em 38 partidas. É a constatação de que o Corinthians não entrava para ganhar ou, se entrava, era muito incompetente.

Mesmo sabendo que a queda para a segundona era clara, mantive-me esperançoso até o fim. Aliás, quase. Quando o Goiás fez 2 a 1 no Internacional, ficou estampado na cara dos torcedores, eu inclusive, que a vaca tinha ido para o brejo. Os jogadores não davam sinais de que haveria alguma chance de gol.

Ao término da partida, não chorei. Assimilei o resultado e, por mais triste que seja o descenso, o jeito é continuar fiel à equipe e esperar os confrontos contra Criciúma, Bragantino, Barueri, CRB, ABC/RN e Gama. Antes disso, teremos o Paulistão e a Copa do Brasil. Por mais que tudo indique que a situação só tende a piorar, eu, como torcedor, creio na possibilidade de um 2008 redentor.


E o Corinthians ainda depende só dele…

novembro 29, 2007

Por mais que seja um torcedor masoquista, também permaneço otimista. A situação do Corinthians é terrível, mas tento olhar pelo lado bom: a equipe depende só dela, é vencer o Grêmio e permanecer na primeira divisão.

Mas é justamente aí que mora o perigo. O Timão já disputou várias “finais” e não se saiu bem. Empatou em casa com o Atlético-PR, não conseguiu matar o Goiás no Serra Dourada e desperdiçou o “match point” contra o Vasco, já que o Galo goleou os goianos no Mineirão.

Duas situações ainda me fazem crer que o Corinthians não será rebaixado: a incompetência de Goiás e Paraná e o fato de o time ter um histórico de cumprir missões impossíveis. Ao analisar o passado do Timão, quando você menos espera da equipe, aí é que ela se sobressai. A última amostra disso foi a vitória sobre o São Paulo.

Fico com uma certa dó do Nelsinho. Com exceção do goleiro Felipe, ele está com jogadores de um nível muito baixo para escalar. Na lateral-direita, quando não é o Iran que entrega, vem o Amaral e “bate a continência” para o jogador do Vasco ficar livre para cruzar. A zaga oscila em bons e maus momentos. Na esquerda, o Everton até que não foi mal, mas mesmo assim deve perder a posição para o Gustavo “chinelinho” Nery.

O meio-campo não arma, deixa espaços para o adversário e mal consegue trocar uma meia dúzia de passes. Pelo menos, teremos a volta do Moradei. Na parte ofensiva, o Finazzi fará falta (!), já que Arce, Wilson, Clodoaldo e Lulinha parecem ter medo de estufar as redes (incluo o Dentinho nesta lista, só que ele não viajará a Porto Alegre).

Os secadores começaram a comprar os rojões. Os palmeirenses nem lembrarão que o Porco enfrentará o Atlético/MG no Parque Antarctica, ficarão grudados na Globo para ver o possível rebaixamento do arqui-rival. Os são-paulinos sonham em encerrar o melhor ano da história do clube com uma “vitória” no Olímpico, desbancando o bi mundial de 92/93 e a conquista do tri em 2005 (ano ofuscado pelo Timão de Tevez, tetra do Brasileiro). Os santistas se multiplicarão, sairão da tumba caso o Corinthians termine entre os quatro últimos do Nacional.

Felipe; Betão, Zelão e Fábio Ferreira; Amaral, Moradei, Carlos Alberto, Lulinha e Gustavo Nery Everton; Wilson e Arce. Que esses 11 jogadores se transformem em heróis no domingo e massacrem o Grêmio. E impeçam uma tragédia sem tamanho.


Eu, judeu?

novembro 23, 2007

Navegando por aí, descobri um teste que avalia qual a religião que a pessoa considera certa. E não é que o meu resultado deu judaísmo?

Which is the right religion for you? (new version)
created with QuizFarm.com
You scored as JudaismYou scored as Judaism. Your beliefs most closely resemble those of Judaism. Do more research on Judaism and possibly consider becoming a Jew, if you aren’t already.Judaism is the religion of the Jewish people, based on principles and ethics embodied in the Bible (Tanakh) and the Talmud. According to Jewish tradition, the history of Judaism begins with the Covenant between God and Abraham (ca. 2000 BCE), the patriarch and progenitor of the Jewish people. Judaism is the first recorded monotheistic faith and among the oldest religious traditions still in practice today. Jewish history and doctrines have influenced other Abrahamic religions such as Christianity, Islam, Samaritanism and the Bahá’í Faith.

Judaism
100%
Christianity
95%
Islam
40%
Confucianism
35%
Buddhism
30%
Haruhism
25%
Satanism
25%
Hinduism
20%
Agnosticism
20%
Atheism
10%
Paganism
0%

Pelo menos, cristianismo vem logo atrás, com 95%. O interessante é notar meus “traços” satanistas, agnósticos e ateus. Ainda bem que isso é só um teste de Internet.


Bodas de algodão e 27º aniversário

novembro 5, 2007

Hoje e amanhã, respectivamente, comemoro minhas bodas de algodão (dois anos de casado) e meu 27º aniversário. Ao fazer um retrospecto do que passei para chegar até aqui, creio que estou em um dos melhores momentos da minha vida.

Recentemente, mudei-me para Atibaia e, após um mês de idas a médico e salas de exame, a saúde está bem melhor. Passado o sufoco, noto que tenho um emprego bom, uma esposa maravilhosa, pago todas minhas contas em dia, moro em uma casa que considero confortável e bem localizada, ou seja, nada a reclamar.

A questão que faço com essa reflexão é a seguinte: e agora? Com uma vida estável, o que devo conquistar a partir de então? Se já tenho esposa, casa para morar, emprego para manter uma vida tranqüila (sem luxo), quais os próximos desafios?

Ter filhos, criá-los e vê-los partir, será essa minha missão na Terra? Fazer uma pós-graduação, outra faculdade, investir na carreira profissional para ganhar mais reconhecimento e dinheiro? Dedicar mais tempo à família, aos amigos e ao lazer?

Creio que posso escolher qualquer dessas opções, mas não devo me basear somente na minha vontade. É curioso como só no quinto parágrafo do texto cito quem proporcionou tudo o que tenho até hoje: Deus.

Pela fé que possuo no Senhor e em seu filho Jesus Cristo, preciso lembrar antes de tudo que a minha vida é Dele. Qual seria minha reação se Deus pedisse, de alguma forma, para largar todo esse conforto e ser missionário em outro país? Ou dedicar boa parte do meu tempo a algum trabalho específico, como a evangelização de menores “em situação de rua” e pessoas com dependência química?

Nasci em um lar que foi “desfeito” quando tinha seis anos de idade e minha mãe se virou para dar uma condição legal de vida para mim e meu irmão. Estudei até o colegial em escola pública e comecei a trabalhar aos 15 anos, é verdade, só que tive a felicidade de morar em Pinheiros e ter contato com amigos com bom nível cultural, o que me levou a sempre pensar em fazer uma faculdade. Sem a necessidade de cursinho, entrei em jornalismo na Cásper Líbero, me formei e até tive modestas conquistas profissionais na área.

A partir dos 11 anos, tornei-me cristão. Essa escolha, além de salvar minha alma, ajudou a preservar o corpo. Fiquei distante de drogas, cigarro e bebida e cultivei programas sadios durante a adolescência. Virei compositor e cantor de rap evangélico, professor de escola dominical, dirigente de louvor e até pregador leigo, além de organizar acampamentos com 150 pessoas e eventos musicais que reuniram cerca de 500 espectadores.

Nesse caminho, conheci a mulher que seria minha esposa, após três anos de amizade e cinco anos de namoro. Depois de dois anos ao lado dela na mesma casa, só posso agradecer ainda mais por suas qualidades, como companheirismo, amor, amizade, carinho, dedicação, beleza e responsabilidade.

Posso não saber o que Deus me reserva no futuro, nem o que devo fazer agora, só peço que Ele continue me preparando e me sustentando, como fez até hoje. Que minha vida como esposo, filho, irmão, jornalista, funcionário, amigo e cidadão reflita um pouco do amor de Jesus.

Ps. Quem quiser lembrar meu aniversário ou minhas bodas de algodão com algo material pode visitar minha lista de desejos do Submarino!


Mandem o Iran para o Iraque

novembro 1, 2007

Assisto sozinho na sala ao segundo tempo de Corinthians x Flamengo e, para susto da minha esposa, que está no quarto, dou um grito de revolta.

– Pára com isso, não precisa gritar!
– É esse Iran, perdeu a bola… olha lá, gol do Flamengo!

O Corinthians tem deixado o torcedor com os nervos à flor da pele há muito tempo, mas ontem foi demais para mim. O time começa ganhando, deixa empatar nos acréscimos da etapa inicial e, quando já me contentava com o 1 a 1, devido às circunstâncias, vai lá o Iran, consegue perde a bola para o Roger (!) e o Timão toma o gol.

Aliás, é incrível como neste ano o Roger só prejudicou o Corinthians. Primeiro, quando esteve lá. Depois, no Flamengo, só marcou gol contra nós e foi fundamental na reação rubro-negra na partida do primeiro turno (empate de 2 a 2).

Sem o Dentinho e o Lulinha em campo, graças ao estrategista Nelsinho Baptista, o Timão não tinha como reagir. O Arce não fez nada e o Héverton pouco contribuiu. Outra coisa que continuo sem entender é o Vampeta ficar no banco. O Moradei está fazendo a parte dele, é verdade, mas nas últimas vezes que o Velho Vamp entrou, a equipe melhorou (vitórias contra São Paulo e Figueirense, empate com o Inter).

Apesar da derrota, continuo com minha esperança de torcedor. O Timão continua dependendo de seus próprios resultados para ficar na primeira divisão e, pelo visto, Goiás, Náutico e Sport vão manter a emoção do descenso até o final. Uma coisa, porém, começa a passar pela minha cabeça: se o Romário jogar contra o Coringão, ele vai aprontar. Já imaginou ver estampada uma manchete “Último gol do Baixinho rebaixa Corinthians”?