Por que voto em Marta Suplicy

outubro 24, 2008

Nas duas últimas eleições, questionei-me bastante sobre o modo como escolho meus candidatos. Apesar de não ser filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), normalmente aperto o 13 na urna eletrônica.

A primeira crise de consciência ocorreu na reeleição de Lula. Como votar no PT novamente, após os “escândalos” do mensalão, do caseiro, do dólar na cueca, da Land Rover do Silvinho, das suspeitas de propinas em Santo André (caso Celso Daniel), da suposta máfia do lixo em Ribeirão Preto (Leão Leão), etc?

Diante de tantas suspeitas, pensava em votar na Heloísa Helena ou no Cristovam Buarque (dois ex-petistas, por sinal). Os anos FHC e os então 12 anos do PSDB em São Paulo eu conhecia bem, então não ia desperdiçar minha confiança nos tucanos. Mas daí, perguntei-me: por que não votar no Lula?

Sempre votei nele e no PT porque acreditava que os mais pobres seriam beneficiados (aliás, tem gente que critica o partido justamente por essa característica de se preocupar com o povão). E, nesse ponto, não me decepcionei. Houve uma grande redução da miséria, tendo como carro-chave o Bolsa Família, e a política econômica austera aumentou a confiança externa no país e combateu a inflação com eficácia, beneficiando quem mais precisa.

Esses fatos e minha experiência de dois anos como funcionário de uma Câmara Municipal, que me ensinou que a política é, antes de tudo, “a arte do possível”, fizeram com que eu votasse em Lula desde o primeiro turno em 2006. Para as eleições deste ano, minha escolha foi mais tranqüila.

O governo de Marta Suplicy de 2001 a 2004 privilegiou os mais pobres. Entre os seus programas, destacam-se a construção dos CEUs (todos em bairros periféricos) e a criação do Bilhete Único, que teve um impacto muito grande na população que depende do transporte público. Até o principal defeito do governo dela, a criação de taxas, punia os ricos, e não os necessitados. Eu, que morava em uma quitinete no Centro, era isento de IPTU e taxa do lixo.

Ao observar o resultado do primeiro turno da eleição em São Paulo, percebo que os mais pobres reconhecem o trabalho da ex-prefeita. Em Parelheiros, 69,9% dos votos foram para Marta. A votação expressiva se repetiu no Grajaú (68,4%), em Cidade Tiradentes (62%) e Guianases (56,9%). No Jardim Paulista, por exemplo, somente 11,1% do eleitorado apostou nela.

Podem argumentar que os pobres votam nela por “falta de informação”, mas será que as melhorias na periferia não contam? Quando fui a Parelheiros, em 2004, fiquei impressionado de haver um corredor de ônibus novinho, no mesmo molde daquele da Av. Rebouças. Ao ir de trem para Mogi das Cruzes, avistei um CEU no extremo leste da cidade, que parecia um oásis para aquela população.

Os mais ricos dependem menos de seus governantes. Seja Kassab ou Marta o vencedor da eleição, a vida de quem circula apenas onde tem rodízio de veículos não vai mudar muito. Para quem está esquecido, o governo do PT parece ser mais eficaz.

Infelizmente, muitas pessoas optam pelo candidato do DEM porque “ele deixou a cidade mais bonita”. Caso Kassab vença, como parece que vai ocorrer, torço para que ele se lembre dos mais necessitados.

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Melhor Corinthians do meu tempo: Marcelinho – Camisa 7

outubro 10, 2008
Bons temposO Corinthians enfrentará neste sábado o Santo André mais uma vez pela Série B do Campeonato Brasileiro e, novamente, o assunto é um só: o reencontro de Marcelinho com a torcida alvinegra. Não é para menos, já que o meia é considerado por muitos o maior ídolo da história do Timão.

Eu discordo dessa afirmação, mas não há como negar a importância de Marcelo Pereira Surcin no Corinthians. Em três passagens pela equipe (1994-1997, 1998-2001 e 2006), o jogador se tornou o recordista de títulos no clube (Mundial de Clubes 2000, Campeonatos Brasileiros de 1998 e 1999, Campeonatos Paulistas de 1995, 1997, 1999 e 2001, além da Copa do Brasil em 1995).

Sua trajetória no Timão começou no Paulista de 1994 e eu estava no Pacaembu para assistir ao seu primeiro gol com a camisa alvinegra, sobre a Portuguesa (3 x 1), na estréia da competição. No total, ele balançou 204 vezes as redes adversárias, o que o deixa como o quinto maior artilheiro da história corintiana.

Além dos gols, principalmente em cobranças de faltas magistrais, Marcelinho era especialista em assistências. Com a bola parada, cansou de colocar companheiros em condições de marcar. Com ela rolando, então, tinha habilidade tanto para fazer um lançamento de 40 metros quanto para driblar um rival em um curto espaço de campo.

Herói das conquistas nacionais do Timão, Marcelinho ficou marcado por falhar em competições internacionais. No Mundial de 2000, teve a chance de marcar o “gol do título”, mas errou a penalidade que confirmaria a faixa de campeão ao Corinthians. No entanto, o equívoco não comprometeu, já que Edmundo fez o favor de chutar a bola nas alturas e garantir o troféu para o Parque São Jorge.

Cinco meses depois, porém, a história terminou mal. Na fatídica partida contra o Palmeiras, pela Libertadores, todos os jogadores acertaram sua cobrança na disputa por pênaltis. Marcelinho, o décimo a cobrar, parou nas mãos de Marcos, para desespero da Fiel.

Apesar da eliminação no torneio continental, o meia permaneceu no Timão e ainda conquistou o Paulista de 2001, sob o comando de Vanderlei Luxemburgo. Na Copa do Brasil, porém, o sucesso não foi o mesmo. Uma suposta confusão na véspera da decisão, que envolveria até a Tiazinha, segundo as más línguas, estremeceu o relacionamento entre técnico e jogador.

Esse desentendimento teve seu ápice na véspera do Brasileiro, quando Marcelinho foi infeliz ao falar “em off”, para alguns jornalistas (Chico Lang inclusive), que Ricardinho era o leva-e-traz do treinador. O episódio resultou no banimento do atleta, que se transferiu para o Santos.

Marcelinho, na época de reservaDepois de passar por vários clubes, Marcelinho desembarcou pela terceira vez no Parque São Jorge em 2006, para ser um reserva de luxo dos galácticos da MSI. Com a camisa 77, disputou somente cinco jogos no Timão, sem brilho.

O sonho do jogador é fazer uma partida de despedida pelo Corinthians em 2010, ano do centenário do clube, no Pacaembu, contra o Palmeiras. Espero que ele tenha uma atuação como esta, em jogo do Paulistão de 1995.