Marcelinho no meu trabalho

abril 23, 2008

Não é todo dia que a gente recebe um ex-craque do Timão no seu ambiente de trabalho, o que aconteceu comigo no último dia 15. Como prévia do texto que farei sobre ele no “Melhor Corinthians do meu tempo”, segue abaixo a notícia do que rolou:

Marcelinho Carioca apresenta trabalho realizado em Atibaia
Ex-jogador do Corinthians cria Centro de Excelência e vislumbra projeto social

O meia Marcelinho Carioca, um dos principais jogadores da história do Corinthians, compareceu à Câmara de Atibaia na última segunda-feira, 14 de abril. Antes do início da sessão ordinária, Marcelinho e o diretor de marketing Bruno Azenha apresentaram aos vereadores e ao público presente dois projetos que o atleta pretende desenvolver em Atibaia.

“No bairro do Portão, em uma área de 190 mil m², estamos finalizando as obras do Centro de Excelência Marcelinho Carioca”, disse Azenha, que mostrou um vídeo do complexo hoteleiro, voltado ao mercado esportivo e corporativo. “Um dos objetivos do centro é ser o local de concentração para uma seleção durante a Copa de 2014”.

Em seu discurso, Marcelinho falou sobre o Imarca (Instituto Marcelinho Carioca), organização sem fins lucrativos que tem o objetivo de desenvolver uma obra social para crianças e adolescentes em Atibaia. “O centro esportivo é algo privado, mas não adianta fazer as coisas só para você. Temos que beneficiar a comunidade, o município. Por isso, criamos o Imarca, que terá sede no campo do bairro do Portão e será uma escola de formação de atletas”, declarou o jogador.

Marcelinho pediu o apoio dos vereadores para a implantação do projeto, que não visa apenas ensinar futebol às crianças. “Queremos formar cidadãos, envolvendo a família. Vamos oferecer suporte em educação, saúde, estética e lazer. A escola contará com odontologia, informática e biblioteca”, declarou.

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50 anos de Bossa Nova e 20 anos de Rap no Brasil

abril 14, 2008

Shows comemorativos, diversas reportagens na imprensa, entrevistas com os músicos pioneiros, relançamento de discos raros. Enfim, 2008 promete muitas dessas coisas em relação à comemoração dos 50 anos de criação da Bossa Nova, tendo como marco zero o dia 10 de julho de 1958, com a gravação de “Chega de Saudade”, interpretada por João Gilberto. Sobre os 20 anos do primeiro registro fonográfico de Rap nacional, a coletânea “Hip Hop Cultura de Rua”, no entanto, pouco ouviremos falar.

Em 1988, sob a produção de Nasi e André Young, músicos do grupo de rock Ira!, a coletânea foi lançada com raps de Thaíde & DJ Hum, MC Jack, O Credo e Código 13. Letras com críticas à polícia, como “Homens da Lei”, e que retratam a realidade dos jovens marginalizados logo caíram no gosto dos moradores da periferia.

Enquanto a Bossa Nova era a música “feita pela e para a classe média”, como definiu Carlos Lyra em recente entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o Rap pode ser considerado o estilo feito pelo e para o povo da periferia. Em vez de usarem o violão, dentro de um amplo apartamento, para cantar sobre amor, sorriso e flor, os jovens pobres samplearam as batidas cruas nos seus barracos e casas humildes para denunciar a falta de oportunidade, a violência e outras mazelas que acompanham os menos abastados.

Na década de 1950, a juventude carioca da Zona Sul não se identificava com os sucessos da época propagados pela Rádio Nacional e estava à procura de uma música moderna. Quando a fantástica batida de violão de João Gilberto e o jeito baixinho e comportado de cantar surgiram, eles se apegaram a isso e fizeram uma revolução na música popular brasileira.

Em São Paulo, 30 anos depois, o rock era a música da moda dos mauricinhos. Os jovens da periferia, porém, renegaram esses rebeldes sem causa e, por meio do hip hop vindo dos Estados Unidos, mostraram sua fúria. Finalmente a população pobre tinha sua voz e o impacto atingiu todo o Brasil.

Tanto a Bossa Nova quanto o Rap foram revolucionários para a história da música no país. No entanto, por mais que esteticamente a Bossa Nova seja “superior”, além de uma criação nacional (apesar da influência jazzística), o Rio de Janeiro do barquinho, da garota de Ipanema e do samba de avião ficaram para trás. E a poesia de MV Bill, muito mais representativa hoje do que aquela escrita por Vinícius de Moraes há meio século, ainda não tem o espaço que merece. Será que em 2028 2038 comemoraremos os 50 anos do Rap no Brasil?


Blog: feliz aniversário!

abril 9, 2008

Hoje completa um ano que iniciei este blog. No período, escrevi 61 posts, recebi quase 40 mil visitas (39.735) e 155 comentários, a maioria deles de fãs dos Racionais. Creio que a média de um post por semana não é nada animadora para um blog, quem sabe neste segundo ano eu melhore.

Depois de 12 meses na blogosfera, percebi que realmente me falta disciplina para manter algo sempre atualizado e com boas sacadas. No entanto, cada post que botei no ar, com destaque para aqueles sobre o Melhor Corinthians do Meu Tempo e o Especial Racionais MC’s, foi feito com muito carinho, dedicação e pesquisa para não publicar nenhuma informação errada.

Talvez por não dedicar o tempo necessário que um blog exige, creio que apenas amigos e colegas são leitores assíduos. No entanto, valeu a experiência de trocar e-mail com um desconhecido que também tinha sua seleção corintiana e uma lista de jogos especiais do Timão, receber a tréplica de uma leitora, após discordar dela de que “se o Guina está convertendo pessoas, não importa se o que ele fala é mentira”, tirar a dúvida de uma pessoa sobre o dia em que foi realizado o clássico entre Corinthians e São Paulo em 1993 e ver alguns posts repercutindo em comunidades do Orkut ligadas ao Corinthians e ao Racionais.

Marcou também nesse período ver a empolgação do meu irmão com o blog (e a chateação dele por não poder mais acessar páginas do WordPress na empresa) e o fato de até meu pai, que não é lá muito chegado em computador, ter se esforçado para ler meus relatos. Dos comentários recebidos, em meio a muito “te amo rasionais” e “mano brau, vc é linduu!”, foi uma massagem no ego ler “Teu espaço é chapado! Parabéns pela qualidade dos textos e pelo nível do conteúdo. Nesse universo virtual, são poucos os espaços que têm essa qualidade”.

Entre pára-quedistas à procura de fotos do muro de Berlim e os poucos leitores fiéis, valeu manter esse espaço. Para o próximo ano, espero que eu termine o Especial Racionais (falta só o último CD) e a seleção do meu Timão (o próximo é o camisa 7 Marcelinho). Todos são muito bem-vindos a esta casa!


Se retrospecto ganhasse jogo, Timão voltará fácil à Série A

abril 7, 2008

Com a eliminação no Campeonato Paulista, diante do Noroeste, o Corinthians tem de se contentar com a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro da Série B. Para avaliar as chances do Timão na Segundona, fiz um um levantamento com os últimos confrontos do Alvinegro contra todos os adversários que terá pela frente na competição, tanto em casa quanto no campo do rival. O resultado não poderia ser melhor.

Na história, o Corinthians nunca enfrentou o Avaí em casa e jamais jogou contra o Vila Nova em Goiás. Dos 36 confrontos levantados, o Timão venceu 20 vezes, empatou 12 e perdeu apenas quatro (as duas últimas contra o São Caetano, contra o Paraná, no Brasileiro do ano passado, e uma derrota diante do Bahia, no distante Brasileirão de 2003). Foram 62 gols pró e 34 contra. Caso repita esses placares, e com dois jogos de lambuja, o Coringão somará 72 pontos, o que é mais do que necessário para subir à série A (em 2007, o Coritiba foi campeão com 69).

Confira abaixo quais foram os últimos confrontos contra os adversários. O primeiro resultado é referente à partida em casa, e o segundo, fora:

ABC/RN – 1 x 0 (Brasileirão/1977) e 4 x 0 (Copa do Brasil/1996)
América/RN – 1 x 0 (Brasileirão/2007) e 2 x 1 (Brasileirão/2007)
Avaí – Apenas uma partida, fora de casa: 4 x 3 (Amistoso/1943)
Bahia – 1 x 2 (Brasileirão/2003) e 0 x 0 (Brasileirão/2003)
Barueri – 0 x 0 (Paulistão/2007) e 1 x 1 (Paulistão/2008)
Bragantino – 1 x 1 (Paulistão/2008) e 2 x 1 (Paulistão/2007)
Brasiliense – 3 x 2 (Brasileirão/2005) e 4 x 2 (Brasileirão/2005)
Ceará – 2 x 2 (Conmebol/1995) e 1 x 1 (Conmebol/1995)
CRB – 3 x 1 (Copa do Brasil/1994) e 1 x 0 (Copa do Brasil/1994)
Criciúma – 1 x 0 (Brasileirão/2004) e 1 x 1 (Brasileirão/2004)
Fortaleza – 2 x 0 (Copa do Brasil/2008) e 2 x 1 (Copa do Brasil/2008)
Gama – 2 x 2 (Brasileirão/2001) e 3 x 1 (Brasileirão/2002)
Juventude – 1 x 0 (Brasileirão/2007) e 2 x 2 (Brasileirão/2007)
Marília – 3 x 1 (Paulistão/2008) e 1 x 1 (Paulistão/2007)
Paraná – 0 x 0 (Brasileirão/2007) e 0 x 1 (Brasileirão/2007)
Ponte Preta – 3 x 1 (Paulistão/2007) e 1 x 0 (Paulistão/2008)
Santo André – 4 x 1 (Paulistão/2006) e 1 x 1 (Paulistão/2007)
São Caetano – 0 x 1 (Paulistão/2007) e 1 x 3 (Paulistão/2008)
Vila Nova/GO – apenas um jogo, em casa: 3 x 0 (Brasileirão/1978)


5 anos de cicatriz

abril 1, 2008

Parece mentira, mas em 1º de abril de 2003 eu entrava em uma sala de cirurgia para retirar 32 centímetros do meu intestino. O resultado, além de acabar com as dores e outros problemas causados pela Doença de Crohn, foi uma cicatriz considerável na minha barriga. Segundo meu amigo Marcel, após a operação, fiquei com dois umbigos.

Entre pré e pós-operatório, fiquei internado no Hospital Santa Isabel 26 dias, nos quais lembro de ter assistido às finais do Paulistão, ao GP Brasil de Fórmula 1 e ao incrível “gol contra” do goleiro Júlio César, então no Flamengo, em uma partida contra o Bahia. Melhor do que os eventos esportivos acompanhados pela TV foram as visitas de diversos amigos, com destaque para a minha então namorada e agora esposa, que foi me ver no hospital todos os dias.

Nesses cinco anos, morei sozinho, trabalhei em casa, casei-me, mudei de cidade (e vou voltar para São Paulo em breve), passei em um concurso e conquistei um emprego público, estou prestes a adquirir um imóvel próprio, tenho feito aulas de auto-escola para tirar a CNH, briguei e fiz as pazes com meu irmão, coordenei três acampamentos de Carnaval, voltei a passar um susto com a doença, mas melhorei, minha mãe se tornou cristã e meu irmão e sua esposa passaram a freqüentar a mesma igreja que eu. Ou seja, aquela não era mesmo a minha hora de partir.

O que direi daqui a cinco anos? Espero que seja isso: voltei para São Paulo, mudei para um apartamento maior, tornei-me pai, passei em um novo concurso público para ganhar mais, comprei um carro, voltei a ser monitor no acampamento de Carnaval (e fiz dupla com meu irmão), meu pai e os pais da minha esposa aceitaram a Cristo em suas vidas.